Serra dos Colomis, eu subi lá!

Vista panorâmica do Lago de Sobradinho a partir da Serra dos Colomis

Vista panorâmica do Lago de Sobradinho a partir da Serra dos Colomis

– Tovinho, eu e Mateusz Radek (o polonês) subimos na serra esta semana e estamos marcando para subir novamente no próximo sábado, topas? Com esta frase Wisley, o matogrossense esposo da minha amiga Lise Guimarães, fez o desafio que topei sem pestanejar. Não tinha como planejar muita coisa, porque ainda estava muito envolvido com o lançamento do Ponto de Cultura Zabelê FM que acontecera no fim de semana passado, entre 7 e 9 de agosto. Havia combinado com Mateusz para discutir um pouco sobre fotografia, mas não deu certo o encontro e fiquei aguardando que Wisley confirmasse o dia da nossa aventura. Somente na véspera tivemos a confirmação de que nossa aventura seria mesmo no sábado, 15 de agosto, dia do aniversário do meu irmão Hugo Régis.

Mateus, Simone e Wisley - Assentamento Nova Canaã.

Mateusz Radek, Simone Ramos e Wisley Castagno - Assentamento Nova Canaã.

Era noite quando resolvi organizar minhas coisas, sob os protestos da minha esposa por eu só “arrumar tudo na última hora”. O horário marcado para partir era seis e meia da manhã de sábado, mas somente às sete conseguimos sair com destino ao Assentamento Nova Canaã, local escolhido como base para iniciar a nossa jornada.

Mateus fotografando crianças no Assentamento Nova Canaã.

Quatro “malucos beleza”: eu, Wisley Castagno, Mateusz Radek e Simone Ramos (piauiense). Às oito horas iniciamos a nossa caminhada com muita expectativa em relação à minha condição física e à de Simone. O guia que conseguimos não ia poder seguir todo o trajeto devido a compromissos “futebolísticos” assumidos antes (também… quem manda procurar guia já na hora de começar a subida?).

Simone, Rodrigo (o guia), Wisley e Mateus.

Simone, Rodrigo (o guia), Wisley e Mateusz.

Wisley encarando o nosso desafio.

Wisley encarando o nosso desafio.

Levamos apenas o necessário para alimentação e água suficiente para o nosso consumo. A mochila mais pesada era a minha, com certeza. Levava seis caramanholas com água congelada (até o final da jornada ainda tinha água fria), oito maçãs, a câmera fotográfica mais uma objetiva de 300mm, uma faca e o GPS (este serviu apenas para sabermos a altitude e as coordenadas pontuais, porque nenhum de nós sabia manipular o equipamento de forma adequada). Cada um tinha o seu equipamento, estoques de água e alimentos leves. Bananas, goiabadas, biscoitos e alguns tabletes de chocolate Biss.

Mateus e Simone - Aqui ainda tinha trilha aberta.

Mateusz e Simone - Aqui ainda tinha trilha aberta.

Wisley e Mateus, os desbravadores.

Wisley e Mateusz, os desbravadores.

Mateusz e Wisley, depois que o guia nos deixou no local previamente acertado, foram “escolhidos” como nossos fazedores de trilha. Daí em diante não havia trilha aberta e a decisão sobre a rota era tomada sempre depois de uma obervação visual. Não havia um roteiro pré-definido. Isto provocava um certo atraso, mas tornava a aventura ainda mais desafiadora.

Tovinho subindo a serra.

Tovinho subindo a serra.

Mateus e o maracujá do mato - comeu e parece que gostou.

Mateusz e o maracujá do mato - comeu e parece que gostou.

A primeira parte da subida foi bem sossegada. Como ainda estávamos bastante descansados e a subida não era muito acentuada não tivemos do que reclamar. Pelas dez da matinha fizemos a primeira parada para descansar mais demoradamente. Lá se foram algumas bananas e barras de Biss. Descansados e reabastecidos seguimos em frente. A mata ia dificultando a caminhada e quanto mais subíamos mais complicado ficava, porque aumentava a concentração de macambiras e de árvores com espinhos. A inclinação também ia ficando cada vez mais acentuada e era necessário fazer algumas pequenas escaladas, inclusive com o uso de corda. Mateusz e Wisley tinham bem mais facilidade de locomoção do que eu e Simone (os pesos pesados da equipe, rsrs).

Simone, Mateus e Wisley - Vale que antecede a subida.

Simone, Mateusz e Wisley - Vale que antecede a subida.

Mateus tentando fazer funcionar o mapeamento no GPS.

Mateusz tentando fazer funcionar o mapeamento no GPS.

Próximo de uma da tarde fizemos a penúltima parada para descanso e lanche. Eu já estava quase esgotado, porque tinha sido o trecho mais cansativo. Simone começava a dar sinais de arrependimento, mas não pensamos em desistir.

Wisley e mateus fotografando tudo.

Wisley e Mateusz fotografando tudo.

Neste trecho eu e Wisley fizemos uma pequena escalada para nos posicionarmos melhor para fotografar a paisagem. Foi o ponto onde fiz as fotos para a panorâmica que está no início deste post.

Vista do Lago de Sobradinho - Assentamento Nova Canaã (em baixo).

Vista do Lago de Sobradinho - Assentamento Nova Canaã (em baixo).

Juro que no momento em que fiquei sobre a pedra senti um pouco de medo, mas nada que fizesse desistir. Depois dessa parada ainda seguimos um pouco acima e por volta das 14 horas resolvemos, depois de uma breve discussão, que deveríamos começar a descer. Aí surgiu a dúvida: subir e ultrapassar a coluna da serra para descer pelo outro lado ou voltar pelo mesmo caminho? Senti que Mateus e Wisley preferiam a primeira opção, mas foram vencidos pelo argumento do desconhecido colocado por mim e por Simone e pelo fato de ter aumentado muito a concentração de macambira.

Eu, subindo a serra.

Eu, subindo a serra.

A volta foi bem mais rápida (todo santo ajuda descer, não e mesmo?), mas não foi fácil. A grande dificuldade foi para encontrar a trilha que fizemos na subida, mas conseguimos. Só na descida é que pudemos observar realmente o quanto a inclinação era grande. Acho que as mesmas dores que eu sentia Simone sentia também. Os joelhos tinham que suportar muito mais o nosso peso e os músculos estavam travando bastante. Simone chegou a sentir algumas câimbras e eu, além de tudo, estava com uma unha encravada no dedão do pé esquerdo que me forçava a andar com muito mais dificuldade. Até a parte inicial que na subida não parecia inclinada ficou mais difícil e eu só enxergava ladeira e mais ladeira. Como foi grande o alívio quando encontramos a trilha que nos levaria de volta ao Assentamento Nova Canaã. Ainda faltava um bom pedaço de caminhada e eu sempre ficando para trás. Todos estávamos esgotados. Depois umas duas horas e meia de descida chegamos à nossa base. Agora foi só pegar as motos e seguir para remanso.

E aí, acabou? Claro que não! Tem muito mais no futuro.

Wisley escalando uma pedra.

Wisley escalando uma pedra.

E você, vai ficar aí só esperando que tudo aconteça do nada? Saia do marasmo. Tem muita gente que fica falando que sempre sonhou em subir a serra e nunca toma a decisão e o tempo vai passando, vai passando… Mas é assim mesmo. Sempre vivemos pensando em conhecer lugares e mais lugares e vamos deixando o que está à nossa volta de escanteio. Vocês nem imaginam quanto é gratificante e como é bom a sabor de uma conquista dessas, ainda mais se esta conquista está bem ali à nossa frente. Por que será que os que vêm de fora parecem enxergar mais do que nós? É o comodismo, com certeza.

wisley_serra_2

Na semana dos vinte anos de morte do Maluco Beleza deixamos aqui a nossa contribuição para o fortalecimento do nosso turismo ecológico. E que o futuro seja VERDE e SADIO. Quem sabe este não foi um bom começo?

Para ver mais fotos da escalada: clique aqui http://www.flickr.com/tovinhoregis.

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2 comentários em “Serra dos Colomis, eu subi lá!

  1. muito legal essa aventura, quando morava aí sempre tive vontade de subir na serra, mais devido não achar ninguém que topasse ir junto acabei sem ir.

    valeu tovinho gostei da matéria.
    opinião porque você não faz umas fotos nos eventos culturais em rso tipo, reis de bois, penitentes, aqueles eventos realizados nas comunidades…

    • Caro Fábio,
      Obrigado pelo comentário. Com relação aos eventos culturais de Remanso, temos o blog do Ponto de Cultura Zabelê FM, http://zabelefm.wordpress.com, mas estou preparando alguma coisa para o meu blog, só que de uma forma mais resumida. É que o tempo anda meio curto.
      Abraços.

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