Primeiro dia do Novenário de Nossa Senhora do Rosário

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Nesta quarta-feira, 21/10, teve início o novenário da padroeira de Remanso, Nossa Senhora do Rosário. O tema deste ano de 2015: Fraternidade: Igreja e Sociedade e o Lema: “Somos uma igreja a serviço de vida”. Serão  nove dias de festa, com as novenas indo de 21 a 29 de outubro, encerrando-se com a procissão no dia 30. Os paroquianos de Remanso resolveram, ainda, homenagear a Irmã Gecyra, que doou sua vida a serviço de todos.

Os noiteiros deste primeiro dia foram: Legionários(as), Rosário Permanente, Carismáticos, Ministros(as) da Eucaristia, Terço dos Homens, Quadras 09, 11, 13 e BNH.

Potes para penitência...

Potes para penitência…

...que vai receber moringas d'água todos os dias até encher.

…que vai receber moringas d’água todos os dias até encher.

Quem foi à novena percebeu a presença de dois potes grandes próximos do palanque… é que durante o novenário vão ser despejadas moringas d´água todos os dias até encher os potes e será uma espécie de penitência com o objetivo de alertar para os problemas da seca e do Rio São Francisco.

Padre João Sena, da paróquia de Curaçá.

Padre João Sena, da paróquia de Curaçá.

Hoje, apesar de ser o primeiro dia e ser uma quarta-feira, a praça já estava bastante cheia e os fieis ouviram com bastante atenção a homilia do Padre João Sena, pároco da Paróquia de Curaçá.

Praça cheia no primeiro dia de novena.

Praça cheia no primeiro dia de novena.

Na sua homilia, o Padre João Sena falou do tema da noite, “Somos uma Igreja a serviço dos valores do Reino de Deus: Justiça, fraternidade, paz…”, traçando um paralelo entre o Evangelho de São Mateus, onde é abordada a relação entre pobreza e riqueza, e o que é vivenciado hoje em dia pela nossa sociedade, cada vez mais injusta e violenta, resultado da busca pelo acúmulo de riqueza.  “O princípio da partilha deve ser vivenciado por todos para assim criarmos uma organização social a partir das necessidades das pessoas e não da riqueza”, disse o padre João Sena. Veja a seguir a transcrição da sua homilia:

“Saudar os irmãos no Ministério Ordenado, o Padre Josemar, vigário geral e reitor do santuário de Nossa Senhora das Grotas, padre Ibis, pároco de Santa Terezinha, e reitor do seminário de filosofia, padre Edmundo, que é vigário desta paróquia, e Padre Benedito, que é o pároco desta paróquia e que nos acolhe hoje com muita alegria.

Queridos irmãos e queridas irmãs, o Evangelho de São Mateus não é extremista, mas é radical ao abordar a relação entre pobreza e riqueza. Ele percebe a íntima relação existente entre pobres e ricos. Não há como acumular bens e ao mesmo tempo tirar proveito. Mateus advoga o uso acertado dos bens materiais. Não dá para ser cristão e acumular muitos bens. A pessoa cristã deve viver sob o signo da partilha, enquanto as pessoas egoístas vivem acumulando, concentrando riqueza e assim socializando miséria para os outros.

Em Mateus se discute a relação entre a adesão ao projeto de Deus e adquirir grandes riquezas. Um jovem enriquecido penso que ele gostaria de seguir certos mandamentos da lei de Deus e poder continuar gozando o luxo da grande riqueza. Jesus, segundo São Mateus, mostra que a observância dos princípios no (???????), principalmente nos preceitos que tem referência direta com as relações humanas: não roubar, não matar, não adulterar. Implica necessariamente no compromisso com a construção de uma sociedade justa e solidária. Implica ainda na não cumplicidade com uma sociedade desigual, onde uns tem demais, vivem no luxo e a maioria sobrevive na miséria, crucificados pela falta de terra, de moradia e de dignidade.

Vá venda tudo que tens, dê aos pobres e siga-me, conclama Jesus. Mas isso não sugere apenas ações individuais isoladas que mesmo sendo posturas heroicas deixa intacto o sistema econômico.

O princípio da partilha deve ser vivenciado por todos para assim criarmos uma organização social a partir das necessidades das pessoas e não da riqueza. Ao propor a partilha de bens, socialização dos bens, Jesus gera também uma subversão religiosa, pois havia a teologia da retribuição e da prosperidade que via no acúmulo de bens uma benção de deus. Assim São Mateus faz questão de mostrar Jesus desmoronando o edifício da teologia da prosperidade: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino do ceu”. Os discípulos de Jesus ficaram assustados com esse alerta. Muita gente fica olhando para a metáfora de um camelo passando pelo fundo de uma agulha e esquece-se de ver o espanto dos princípios. De fato a metáfora é forte e eloquente e revela uma grande dificuldade, mas o evangelho quer enfatizar o espanto dos discípulos, porque para eles, segundo a teologia da retribuição da prosperidade não havia contradição em enriquecer-se e se salvar. Aliás, o enriquecimento era visto como caminho para a salvação e resultado das bênçãos divinas. Jesus na contramão do mundo de ontem e de hoje mostra que o caminha para a salvação passa por relações de partilha, o que se coloca dentro da teologia da gratuidade. A fé em Jesus Cristo e no seu projeto é para ser vivida nas entranhas das relações humanas e sociais. Assim, além da fé em Jesus é preciso ter a fé de Jesus, acreditar e investir no projeto da partilha. De sociabilidade e de convivência fraterna.

Então, querido irmão e querida irmã, a gente vê que a própria pessoa de Jesus Cristo não condena a riqueza. Mas o que Jesus condena de fato é o apego à riqueza. Porque nós sabemos que a concentração dos bens materiais por alguns empobrece muito. E a gente sabe que a concentração gera desigualdades sociais, gera violência. O acúmulo gera também tragédia.

Nesses dias nós fomos surpreendidos, aqui na cidade circunvizinha, Sento Sé, 10 pessoas foram assassinadas. A gente culpa as vítimas e talvez a gente comente que foram eles que escolheram este caminho e muitas vezes as nossas reflexões nas redes sociais é de condenação e muitas vezes de aplauso pela morte desses irmãos, porque querendo ou não também são vítimas do acúmulo da riqueza.

Quando chega geralmente no final do ano, no início do ano a gente vê no noticiário que os bancos lucram bilhões e bilhões de reais. Quer dizer que a riqueza produzida por muitos é apropriada por poucos e esse modelo de produção, infelizmente, é que gera violência, é que gera tragédia. Então a festa nos convida a viver os valores do reino dos céus. Que é justiça, paz e fraternidade. Queridos irmãos queridas irmãs, nós que estamos nesta praça ouvindo a palavra de Deus, contemplando a palavra de deus, nós temos um compromisso e o nosso compromisso é de defender a vida. É de proteger a vida, a vida humana mais todas as espécies de vida. A gente sabe que a ganância pela riqueza também está produzindo violência até na criação, na natureza. Estou em Curaçá e um amigo meu diz que Curaçá está sendo exterminada pelas mineradoras. Extraem toda a riqueza e deixa para a população simplesmente destruição. Pobreza e destruição e a gente vê que também a ganância está agonizando também o Rio São Francisco. A gente vê a preocupação pelo rio São Francisco, mas se a gente for ver a preocupação dos empresários não é nem tanto para salvar o rio , mas é ter água para a sua própria produção, para gerar a sua própria riqueza sem pensar na continuação do rio e sem pensar em uma região toda que depende do rio. Por isso o evangelho, ele nos apresenta uma outra proposta que é a proposta de Jesus Cristo, que é a proposta da partilha. Quando a gente vive a partilha a gente acaba com as desigualdades sociais e a gente contribui mais com a justiça e a fraternidade. E nossa senhora do rosário que é tão querida, que é tão venerada aqui nesta paróquia que possa interceder por nós para que nós possamos absorver os faróis do reino dos céus: justiça paz e fraternidade. Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo.”

Vejam mais algumas fotos:

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Padre João Sena, da paróquia de Curaçá.

Padre João Sena, da paróquia de Curaçá.

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