Moro canonizou Lula

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Pode mandar a ficha de Lula para o Vaticano que Francisco vai canoniza-lo. Depois de anos investigando o condenado, o juiz o condenou por ser dono de um apartamento, cuja pertença real hoje é da Caixa Econômica.

Moro absolveu Lula da acusação de ter ganho um “transporte” daqueles objetos que ele ganhou quando presidente. Esse detalhismo só comprova até onde foi esse papel do advogado do diabo, figura que procurava todos os defeitos de uma pessoa nos processos de canonização, para provar que o santo não era tão santo. O próprio João Paulo II se encarregou de defenestrar o papel desse advogado dos rituais de canonização.

Por fim, Lula ainda vai responder a julgamento pelo sítio de Atibaia. Convenhamos, vamos dar de bandeja ao Moro que Lula seja dono do Triplex – que é da Caixa – e do sítio que é de um sindicalista. Mesmo assim, diante do que a roubalheira da política brasileira, Lula é um santo.

E, como não há nenhuma prova documental de que ele seja dono dessas insignificâncias, então, em segunda instância, pode ser absolvido e consolidada sua canonização.

A destruição dos direitos do povo brasileiro comprova a intenção desse golpe e a tentativa de excluir Lula do processo eleitoral de 2018. Incrível como a burguesia nacional teme esse homem! Incrível como não consegue destruir sua potência eleitoral!

Pessoalmente, penso que ele deveria estar aposentado e vivendo sua vida. Já cumpriu seu papel histórico. Mas, os adversários fazem questão de ressuscitá-lo politicamente. Esse sentimento de sentença injusta e covarde só vai potencializar Lula, caso não consigam impedir sua candidatura.

Essa sentença diz mais quem é Moro, menos quem é Lula.

O Brasil ficou mais transparente

Roberto Malvezzi (Gogó)

O governo das grandes corporações econômicas se chama neoliberalismo. Sabíamos dessa realidade, mas hoje podemos dar claramente nome aos bois.

A classe política é apenas sua executiva e o judiciário seu guardião, embora sempre haja contradições.

No Brasil ficou clara essa realidade quando vemos as empresas financiarem as campanhas de seus candidatos, quando compram as medidas provisórias dos seus interesses, quando pagam propinas e fazem mimos aos agentes públicos também conforme seus interesses.

Essa classe política servil, corrupta e subordinada pode atender pelo nome de Eduardo Cunha, como uma figura simbólica dessa época. Claro, há uma exceção minoritária como sempre.

Nesse sentido está claro o papel da FIESP e CNI, cujo figura mais emblemática é Paulo Skaf. É o grupo empresarial brasileiro – o papel dos estrangeiros ainda está um tanto obscuro, exceto na Petrobrás e na venda de terras aos estrangeiros e na privatização dos aquíferos – que promove e impõe as reformas trabalhistas, previdenciárias, PEC do congelamento de gastos e terceirização das atividades fins do trabalho.

Está claro o papel do judiciário, sobretudo em Curitiba e no Supremo Tribunal Federal. A política clara de Sérgio Moro e Gilmar Mendes – embora haja algum atrito em torno de certas personalidades – é o rosto do judiciário brasileiro e de sua ética.

Os banqueiros, ao imporem seus juros e seus nomes para defender o interesse dos especuladores, tem em Roberto Setúbal o nome claro do governo das corporações financeiras.

Nos grupos midiáticos, embora no momento haja pequenas contradições entre Globo e Folha de São Paulo quanto a Temer, não há nenhuma contradição no cerne do golpe que é o implante da desregulamentação em todos os setores da sociedade.

Para ganhar o poder central – além do econômico e midiático que já controlam – qualquer golpe é válido. E os golpistas do país tem em Aécio, Temer e mais alguns nomes o rosto dessa realidade.

Por fim, uma certa esquerda brasileira, que ao aderir aos métodos de compra e venda de parlamentares e partidos, também não soube inventar outro caminho a não ser mergulhar na subordinação às grandes empresas para amealhar recursos. Uma boa parte dessa esquerda, além de mergulhar nos caminhos do dinheiro farto e fácil, no fundo comunga as estratégias globais do capitalismo predador, a não ser com pequenas e frágeis inclusões sociais, que são importantes, mas não tem estabilidade estrutural para permanecer por longo tempo.

Então, o Brasil está mais claro, mais transparente, em grande parte devido às novas mídias, e isso é bom. Talvez essa transparência esteja na raiz da última pesquisa Datafolha, indicando o crescimento dos “valores de esquerda” no povo brasileiro. Entretanto, não significa que o país está melhor, ao contrário, estamos com 13 milhões de desempregados, 60 mil assassinatos por ano nas cidades e o aumento desbragado da violência no campo, além da violência aberta contra as florestas, rios e seus povos. Portanto, essa transparência pode ser simplesmente o total descaramento de uma elite tradicional excludente, violenta e opressiva.

Discernimentos para o momento atual

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Roberto Malvezzi (Gogó)

A filosofia nos ensinava que o “bom filósofo sabe distinguir”. Na Teologia o discernimento é um dom do Espírito Santo.

Porém, discernir não é apenas um ato racional como quer a filosofia, mas buscar com reta intenção e reto coração o que é justo e bom.

Então, vamos a alguns discernimentos para o momento atual brasileiro:

Primeiro, todos os grandes partidos – inclusive grande parte dos menores – se utilizaram fartamente do dinheiro das grandes empresas, como o PMDB, PSDB e PT. Se o dinheiro é legal ou ilegal tanto faz para nós cidadãos. O fato é que quem recebe tanto dinheiro de empresas está com sua cabeça na corda da forca e terá que retribuir esses financiamentos.

Segundo, para as empresas a propina é investimento. O que for dado, legal ou ilegalmente, será cobrado. Nesses anos de intensa propina, o patrimônio da Odebrecht saltou de 16 para mais de 100 bilhões. Portanto, compensou.

Terceiro, a promiscuidade dos partidos não significa enriquecimento pessoal de todos os envolvidos. Alguns sim, outros não. Sobre Dilma até hoje não se levantou uma única acusação de enriquecimento pessoal. Sobre Lula há denúncias todos os dias, até agora nenhuma devidamente comprovada. Sobre Serra, Aécio, Golpista e outros, há denúncias e indicação de contas e extratos de pagamento. Todos têm direito à defesa até à última instância para que as denúncias sejam devidamente comprovadas. Senão, são denúncias vazias. Juízes e promotores também não estão acima da lei.

A supressão veloz e perversa dos direitos do povo brasileiro, duramente conquistados em mais de um século de civilização, não guarda nenhuma relação com o combate à corrupção. Os capitalistas brasileiros – banqueiros, empresários, mídia corporativa, agronegócio – perceberam a fragilidade política do momento para impor seus interesses.

Nas mudanças trabalhistas – 12 h por dia, terceirização de todas as atividades, expor mulheres grávidas à serviços com radiação, etc. -, querem nos retroceder à Revolução Industrial, onde mulheres, crianças e idosos tinham uma jornada diária de até 16 h.

A reforma previdenciária atinge, sobretudo, trabalhadores rurais, elevando a idade da aposentadoria, dos benefícios para quem nada tem na vida, além da PEC do fim do mundo que congelou os investimentos em saúde e educação por mais de 20 anos.

Além do mais está acontecendo a privatização de mananciais de água como o Aquífero Guarani, a entrega de terras a estrangeiros, além de mudanças constantes na legislação ambiental para favorecer a devastação de nossas florestas, solos e rios, enfim, de nossos biomas.

Vale lembrar que a corrupção é perversa, mas não é o principal ralo do dinheiro público. Os juros e encargos da dívida pública levam cerca de 800 bilhões de reais por ano, cerca de 42% do orçamento nacional. Porém, cerca de 5% da população brasileira embolsam esse dinheiro fácil e não querem discutir essa questão por motivos óbvios.

Por isso, a greve geral do dia 28 deve ter todo apoio. A denúncia contra esse governo impostor deve estar em todas as nossas atividades. Agora não estamos defendendo um partido, estamos fazendo um discernimento e defendendo os direitos dos mais vulneráveis, na perspectiva do que seja justo e bom para a maioria do povo brasileiro.

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Denunciar Golpista nas missas

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Estávamos no auge do Regime Militar. A tortura e as mortes aconteciam sem que a sociedade soubesse. Então, num sábado à noite, D. Paulo Evaristo Arns foi celebrar uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Jardim Paulistano, São Paulo. Ali, numa roda miúda, nos disse que um jornalista tinha sido assassinado nas dependências do Exército. Era Vladimir Herzog. Então, a Arquidiocese de São Paulo tinha lançado uma nota para ser lida em todas as missas dominicais. Era uma denúncia corajosa e franca dos porões da ditadura e da morte de Herzog.

Para muitos especialistas, ali começou a derrocada do Regime Militar, isto é, havia um espaço que os generais não controlavam. Era exatamente o interior dos templos católicos.

Hoje a CNBB pede a todas as dioceses do Brasil que leiam a carta denúncia contra as reformas do governo Golpista, particularmente a da Previdência. Mas podem ser incluídas aí a PEC do Fim do Mundo, a terceirização geral dos trabalhos e a reforma trabalhista. A CNBB é clara: as reformas atendem o mercado, mas atentam contra o povo.

Alguns cardeais, vários bispos, muitos padres e muitos leigos apoiaram o golpe contra a democracia que possibilitou esse ataque destrutivo aos direitos do povo. O governo anterior tinha problemas éticos, políticos e econômicos, mas nunca atacou os direitos do povo. Esse tem o dobro de problemas éticos, políticos e econômicos, mas tem o detalhe de querer destruir tudo que o povo brasileiro construiu em termos de civilidade desde Getúlio Vargas, passando pela Constituinte Cidadã de 1988 e também nos últimos governos.

Quem sabe a leitura das cartas nos templos, nas missas, nas procissões, durante a Semana Santa, inclusive, demonstrando claramente a intenção desse governo de crucificar novamente nosso povo, seja o primeiro passo de reação a esse golpe, assim como foi a carta de D. Evaristo Arns no Regime Militar.

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Coveiros da esperança

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– Aos parlamentares ditos católicos –

É difícil saber se há algum parlamentar católico que se oriente politicamente pelos princípios da Doutrina Social da Igreja de justiça, equidade e respeito pelos mais pobres. Mas, há muita gente ali que se declara católico.

Nem vamos falar da Bancada da Bíblia, aliada da Bancada do Boi e da Bala. Esses são os adoradores do dinheiro, do poder e da violência.

Agora, com a PEC do fim do mundo, com as mudanças trabalhistas reduzindo nosso povo aos níveis da revolução industrial na Inglaterra, com a destruição da Previdência Social, seria necessário saber com quem esses parlamentares estão votando.

Para os adoradores do dinheiro e do poder, o Juízo Final é uma piada. Mas, para quem tem alguma referência em Deus, é bom lembrar que quem exclui os mais pobres atrai a maldição de Deus, também nas suas decisões políticas. Paulo VI lembrava que a política é o espaço supremo da caridade. Portanto, vale o contrário, ou seja, pode ser o espaço supremo do egoísmo humano de classe. De qualquer forma, está aí o capítulo 25 de São Mateus: “ide para o fogo do inferno amaldiçoados…porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber (Mateus 25,41-42). Ou seja, estive velho e não me aposentastes, estive doente e me roubastes o SUS, estive desempregado e me destes um serviço terceirizado….

Então, do ponto de vista socioambiental, estamos sendo conduzidos à uma sociedade tipo “mundo cão”, já que exclusões sociais massivas geram desemprego, miséria, insegurança, violência, quadrilhas, tráfico, assassinatos, cadeias superlotadas, assim por diante. Claro, vez em quando vai haver um assalto de rua e alguém da classe média tradicional será assaltado ou morto. A nata da elite brasileira anda de helicóptero e jatos particulares.

Portanto, os ditos parlamentares católicos merecem essa observação: quem ferra o pobre, também nas decisões políticas, por Deus será ferrado.

 

Jamais seremos os mesmos.

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Roberto Malvezzi (Gogó)

Escrevo para mim mesmo e alguns milhões que comungam a mesma impotência – pelo menos por hora – perante o golpe impetrado no Brasil e seus desdobramentos.

Não tivemos chance de defesa. Falo dos 54 milhões de brasileiros que tiveram seus votos sequestrados por trezentos e poucos calhordas da Câmara e depois 60 senadores. Agora, todas as mudanças constitucionais que vão sendo operadas de costas para o povo.

Não se trata de defender os erros e até crimes do PT ou de petistas. Mas, também não se trata de cegar para a fantástica hipocrisia nacional, cabalmente demonstrada no avanço das investigações sobre outros partidos.

Agora já se questiona o resultado do golpe. A recessão econômica projetada no governo Dilma era de 3,5% do PIB. Com Golpista está projetada em 7%. A indústria caiu, o agronegócio também e o desemprego saltou de 10 milhões com Dilma para 12 com Golpista. Portanto, aquela promessa mágica que o golpe prometia não se realizou. Agora, até Fernando Henrique já fala em eleições diretas para dar alguma credibilidade a quem vai enfrentar o abismo que nos lançaram.

A fratura social do Brasil cravou na alma e vai durar muitas gerações. Vamos continuar nos cuspindo, nos enfrentando em manifestações de rua, restaurantes, nos ofendendo nas redes sociais, alimentando discriminações étnicas, sexistas, classistas, regionais e todas de outros naipes. Talvez nunca tenhamos sido uma nação, mas um aglomerado de pessoas que ocupam o mesmo território (Leonardo Attuch)

Quem tem fome e sede de justiça não pode aceitar um ajuste fiscal e econômico às custas da subtração de direitos e da miséria do povo.  A verdadeira reconciliação só se dá em cima da justiça e um passo a mais na misericórdia, que pressupõe a justiça. E o golpe está aprofundando todas as injustiças históricas do país. O ajuste não é apenas impopular, como diz a grande mídia, mas anti-humano.

Não se trata de nos alimentarmos de ódio. Ele paralisa e mata. Mas, da contínua indignação perante as injustiças estruturais e estruturantes que são impostas secularmente às vítimas de nossa história. A distância entre o ódio e a indignação é um piscar de olhos.

Jamais seremos os mesmos. Essa é a frase que mais ouvi nos últimos tempos, de pessoas tão diferentes, que nem se conhecem. Ou nos reconciliamos na justiça, ou jamais nos reconciliaremos.

A relativização da grande mídia

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Roberto Malvezzi “Gogó”

Tempos atrás, quando éramos agredidos pela grande mídia, tínhamos que cobrar na justiça uma resposta no mesmo espaço, do mesmo tamanho, com um conteúdo sem retoques por parte dos editores. Claro, conseguíamos um direito de resposta em um bilhão.

Hoje a grande mídia critica e é criticada, opina e é opinada, ataca e é atacada. Melhor, praticamente em tempo real, através dos meios que a internet nos disponibilizou.

Enfim, chegamos efetivamente ao direito da livre opinião, da livre expressão, mesmo com todos os problemas que atravessam esse direito na internet. Se primeiro havia um emissor e um receptor, hoje todos somos receptores e podemos ser emissores. Basta querer. Os meios são inúmeros e podemos escolher qual é o de nossa preferência.

Claro que os grandes meios corporativos ainda têm muita influência, em alguns momentos ainda são determinantes. Porém, pesquisa recente dizia que o facebook já detém 51% de influência sobre a formação da opinião em relação aos outros meios. A tendência, inclusive, é que esses meios absorvam mais verbas de publicidade que os meios tradicionais.

Portanto, é preciso ser compreensivo com o desespero dos tradicionais barões da mídia. O auge de sua influência já ficou no passado. Daqui para a frente a tendência é mesmo da livre opinião generalizada.

O presidente impostor disse esses dias que é preciso “combater as redes sociais”. A afirmação vinha no contexto que “esse governo não é estúpido de atacar os direitos dos trabalhadores como as redes divulgam”. Hora, os ministros impostores é que disseram em alto e bom som que a aposentadoria viria aos 75 anos de idade, 50 anos de contribuição, que o salário mínimo seria desvinculado da previdência, além de outras afirmações estúpidas. Hoje temos outros meios para nos defender de governos estúpidos.

Aliás, os golpistas calcularam mal. Achavam que ainda estavam na década de 1960. O golpe não cola porque o povo sabe. O que levamos 30 anos para saber do golpe militar, hoje sabemos em tempo real o que acontece nos bastidores. Ainda mais, até a mídia internacional, inclusive a tradicional, tendo senso do ridículo, sabe que aqui houve um golpe.

Portanto, seja um jornalista, um juiz do Supremo, um deputado, um empresário, ou mesmo um promotor público exibicionista, se disser asnices, será exposto ao ridículo através dos meios hoje disponíveis.

Enfim, podemos tranquilamente dar adeus ao jornalismo político dos grandes meios. Além do mais, é provável que sem vê-los ou ouvi-los, melhore nossa taxa de colesterol, de triglicerídeos e a pressão sanguínea.

A internet livre faz bem à saúde.

O que Temer

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Roberto Malvezzi (Gogó) e Letícia Sabatella

O Golpe se consuma.

E a herança mais amaldiçoada que o governo com Dilma deixará para o povo brasileiro é exatamente seu sucessor, Michel Temer.

Recuaremos duzentos anos na história. Um governo de homens pálidos, hipócritas, ricos e obsoletos.

É a volta ao Império, à política do café-com-leite, governo dos paulistas da Paulista com alguns capachos espalhados pelo Brasil. O pior é para o povo. O congelamento dos investimentos em saúde, educação e saneamento por vinte anos vai gestar uma geração de analfabetos, de insalubridade permanente e até de cadáveres pelas portas de hospitais. Nenhum serviço público de qualidade sobreviverá com esta política.

Se com Dilma no governo o futuro dos bens naturais do país, das nossas tribos indígenas, quilombolas, já era preocupante, com Temer não há mais sombras, é tenebroso: é para devastar, saquear e entregar.

Eles riem e podem rir. O povo está sendo inundado de informações falsas ou duvidosas e alijado das decisões. Essas decisões foram articuladas dentro dos conchavos e ligações do Congresso, referendadas pela conivência do judiciário e divulgadas pela mídia corporativa. Esse sentimento de impotência e irrelevância do voto se abateu sobre grande parte do povo brasileiro.

Não esperem que esses políticos golpistas temam pela história, porque eles não têm história. Não esperem que eles temam por suas biografias, porque eles não têm biografia. Não esperem que se sintam envergonhados, porque não se tira a vergonha de onde ela não existe. Existe o poder e eles estão no poder.

A ignorância toma o poder de salto alto, sem argumentos legítimos e a arrogância é seu veículo de disseminação.

Mas, a melhor herança de Dilma também ficará. A dignidade tem um rosto e um nome neste país. Sua coragem, convicção e a observação ampla de que somente o povo e o voto popular podem consertar as injustiças deste processo fraudado, são marcas deste momento. O enfrentamento de tanto ódio fomentado por distorções e manipulações, com garra e crescimento pessoal, é exemplar para muitas gerações futuras. Não vamos nos suicidar, nem renunciar ao que é justo, nem fugir da luta.

O resto só a história dirá.

Só agora, Gilmar?

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Quando a Lava Jato investigava só o PT – particularmente Lula e Dilma – era um sucesso, como se diz aqui pelo sertão.

Depois chegou à Câmara dos Deputados e ao Senado. Cunha reagiu, articulou seus 200 deputados, tão comprometidos quanto ele, e derrubou Dilma do poder.

Do mesmo modo, 45 senadores já estão comprometidos com a punhalada final porque tem o pescoço na corda da Lava Jato, ou o rabo preso nas empreiteiras, o que dá no mesmo.

Quando a mídia acusava levianamente, numa verdadeira execração pública, inúmeras pessoas, só porque eram ligadas ao governo anterior, as calúnias eram debitadas na conta do direito da livre expressão.

Porém, agora, a Lava Jato chegou ao Supremo Tribunal Federal, citando o ministro Dias Toffoli.  Pode ser que a delação seja leviana, que a revista sem credibilidade mais uma vez esteja caluniando pessoas. Porém, o clima gelou.

Agora vem a acusação dos laivos autoritários do MP pelo ministro Gilmar e os perigos totalitários do que está em andamento no Brasil. A CNBB, quando examinou a proposta de lei anticorrupção do MP, percebeu logo os laivos autocráticos e autoritários e não embarcou na proposta. Nesses momentos de caça às bruxas, tudo parece ser válido.

Houve a tentativa de prender Lula, mas que se acabou numa sala de Congonhas. Uma das versões é que um coronel da aeronáutica se recusou em leva-lo preso à Curitiba.

Nos grampos vazados da conversa de Lula e Dilma por Moro, houve a tentativa de criar um clima hostil para “depor” Dilma naquele momento. Todos sabiam, menos Gilmar Mendes.

Portanto, o Brasil está namorando a ditadura há quase dois anos. O golpe é uma ditadura civil. Logo, a reação de Gilmar Mendes é porque a Lava Jato bateu à sua porta, não porque ele seja um defensor da democracia.

Portanto, os amantes dos regimes autoritários pensem bem, pois hoje a vítima é o outro, amanhã pode ser vocês.

Ministro do Supremo mandou avisar…

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Um Ministro do Supremo Tribunal Federal mandou um aviso para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): “preparem-se para dias difíceis”. O que será que ele sabe exatamente? Será que é para preparar o povo Brasileiro para o pior?

Mas, consumado esse golpe, o que pode vir de pior? A maioria das propostas já conhecemos: desmonte do SUS em favor da medicina privada; modificações draconianas para o povo na previdência social em favor da previdência privada; modificações dos tempos da revolução industrial na legislação trabalhista em favor do capital privado; entrega do Pré-Sal; desmonte da educação pública – inclusive universidades – em favor da educação privada; entrega das terras públicas aos estrangeiros; repressão dos movimentos sociais; supressão de verbas para pesquisas científicas; crescimento da intolerância fascista; assim ao infinito.

As políticas sociais ficarão apenas como marketing, não mais com a proposta da inclusão social. Fim dos 15 anos do desenvolvimento da política de Convivência com o Semiárido. ­­­­­­

O pior para o povo brasileiro será essa falta de perspectiva, de futuro. O Brasil volta a ser de poucos e com políticas para poucos. Verdade, com apoio de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Cristovam Buarque, Marta Suplicy e outros que jurávamos democratas.

Com Dilma era difícil, pelas ambiguidades, pelo autoritarismo, pelo obreirismo e crescimentismo, mas havia contradições e, por elas, avançamos em alguma inclusão social, sobretudo aqui no Semiárido. Mas, agora o poder dominante tende a ser monolítico. As contradições internas do bloco que chega ao poder jamais porão em risco o projeto do Brasil farto para as oligarquias tradicionais que dominam esse país, embora tornem o Brasil menor para seu povo e perante as nações do mundo.

Há horizontes? Por hora nenhum, a não ser uma tormenta formada por nuvens escuras e carregadas. Mas, como dizia o grande místico João da Cruz em sua noite escura: “é por não saber por onde vou – e nem como – que eu vou”. Nós vamos.