Inteligência Ambiental.

– Festa do Umbu e da Vida em Uauá –

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Foto: Divulgação do site http://www.coopercuc.com.br

Você quer ver mel em abundância, cerveja de umbu (25 reais a longuinete), bode assado com macaxeira por todo lado, geleia de umbu, compota de umbu, suco de maracujá da caatinga, rendas, artesanatos e tantos produtos que mostram a abundância da vida no Semiárido Brasileiro? Então você deveria ter ido ao 7º Festival do Umbu em Uauá, organizado pela Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC).

Estamos saindo de uma seca de cinco anos, sendo dito que estamos atravessando a “maior crise econômica do Brasil da história”, que em outras épocas significaria que metade de Uauá deveria estar por outros lados do mundo, menos no sertão nordestino. E totalização dessa produção alcança cerca de 200 toneladas por ano.

Ali, onde nasce o Vaza Barris, hoje um rio seco, onde logo abaixo Conselheiro encontrou um lugar onde “jorrava leite e mel” (Canudos), às margens do Vaza Barris, sertão antigamente dito como “bravo”, a festa foi grande, cheia de vida, de produtos, de gente. O mesmo povo que começou a festa na sexta pela noite ainda estava lá 4 hs da manhã do domingo, dançando ao som da música típica da região, embora sempre apareça algum forró eletrônico para quebrar a beleza musical.

O paradigma de “convivência com o Semiárido”, intuído por homens como Guimarães Duque, Celso Furtado (Discurso de inauguração da SUDENE, 1959), foi tirada do papel e da imaginação pela sociedade civil nos últimos anos, que lhe deu carne, na troca de experiências acumuladas pela população sertaneja, com sua captação de água de chuva, o manejo da caatinga, uma agricultura conforme o ambiente, pelo cultivo do umbu, do maracujá do mato, dos animais adaptados ao Semiárido como a cabra e a ovelha. Então, a vida veio abundante, mesmo em tempos de seca.

Essas são conquistas dos últimos 20 anos, com programas construídos pela sociedade civil como a ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro), ou por componentes como o IRPAA (Instituto Regional da Pequena Agropecuária Adaptada). Não veio dos coronéis, nem do Estado, mesmo esse um pouco mais modernizado. O que houve foi o apoio econômico dos últimos governos, o que deu escala a esse trabalho, com mais de 1 milhão de cisternas para beber e mais de 150 mil tecnologias de produção implantadas.

A COOPERCUC tem mercado interno e externo, seus produtos vão para a Itália, França e Áustria. Essa é a prova que a “irrigação” não é o único veio produtivo do Nordeste e nem o principal. O PIB da irrigação gira em torno de 2 bilhões de reais ao ano, enquanto o PIB do sequeiro em 2008 já girava em torno de 140 bilhões de reais ao ano. Portanto, os números desmentem os mitos.

Parabéns à COOPERCUC, trabalho que mostra a beleza e a viabilidade do sequeiro nordestino, com a caatinga em pé, ambiente preservado e cheio de vida. O único caminho para os biomas brasileiros sobreviverem é o da “convivência”.

Quem tem inteligência ambiental sabe.

 

A morte de Clara Eliza, a médica cubana.

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Roberto Malvezzi (Gogó)

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Clara Eliza, médica cubana. Foto: Reprodução da Página do Facebook

Faleceu em Bom Jesus da Lapa a médica cubana Clara Eliza, 46 anos, vítima do H1N1. É imperdoável que aqueles que lutam para pôr um limite na crueldade do sistema capitalista, expresso na saúde pública, não tenham dito uma única palavra.

Quando cheguei para morar no sertão, Campo Alegre de Lourdes, Bahia, junto com outros colegas, o índice de desenvolvimento humano sequer era calculado. Em 1990 era de 0,27. Em 2000 era de 0,32. Em 2010 era de 0,56. Ainda um dos mais pobres do Brasil, mas já não índices de miséria absoluta.

Um prefeito do PC do B, alguns anos atrás, quis contratar um médico permanente para o município, se dispunha a pagar 22 mil reais ao mês, e nunca conseguiu um brasileiro que se dispusesse a morar naquele sertão.

Nos últimos anos 3 médicos cubanos, alocados no “Mais Médico”, não só foram morar em Campo Alegre, mas foram morar no interior do município, onde só íamos nós e quando havia a SUCAM.

A solidariedade é uma das mais belas virtudes de alguns seres humanos. É a capacidade de se colocar no lugar do outro, assumir suas dores e problemas e de se comprometer com os mais vulneráveis ao preço da própria vida.

Bom Jesus da Lapa, cidade santuário do Bom Jesus e de Nossa Senhora da Soledade, nas grutas às margens do rio São Francisco, conhece agora essa solidariedade ao extremo.

Em tempos de mesquinharia total, de almas pequenas, de disputas mortais pelo poder, Clara Elisa é o sinal que as mais belas virtudes do ser humano ainda subsistem em alguns corações.

 

Grêmio da Quadra 01 é bi-campeão do Campeonato Remansense!

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Ontem, 24/04, aconteceu no estádio municipal Walter Dias Ribeiro, com início às 15horas e 42 minutos, a grande decisão do Campeonato Remansense de Futebol Amador 2016 (Liga Desportiva Remansense – LDR) entre as equipes do Grêmio da Quadra 01 e do Tamboril, encerrando esta edição com chave de ouro.

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Grêmio da Quadra 01 – Campeão remansense de 2016.

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Tamboril – Vice-Campeão remansense de 2016.

O jogo foi bastante disputado, mas a equipe do Grêmio da Quadra 01 buscou o gol com mais vontade desde o início do primeiro tempo e perdeu dois gols fáceis logo no início da partida. O tempo passava e nada de sair o primeiro gol. O Tamboril começou a gostar da partida e endureceu o jogo, sempre buscando o gol adversário em contra ataques constantes, mas não conseguiu marcar nenhum gol. O resultado do primeiro tempo parecia caminhar para um zero a zero quando a bola sobrou para o meia Gustavo que não desperdiçou a oportunidade e abriu o placar em favor do Grêmio.

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Gol INCRÍVEL …

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…perdido por Ayrton Goiano.

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No segundo tempo o time do interior de Remanso ainda tentou algumas jogadas, principalmente através de Aleno, um dos seus principais jogadores, mas não houve sucesso nas tentativas. Já próximo do final da partida o atacante Marcos, que havia substituído o goiano Ayrton, num vacilo da zaga do Tamboril, marcou o segundo gol do Grêmio numa cabeçada certeira, sem nenhuma chance para o goleiro Tebeu.

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Aleno, um dos principais jogadores do Tamboril.

Ao final do jogo o Grêmio da Quadra 01 sagrou-se campeão com o placar de 2 a 0 em cima do Tamboril.

Os gols:

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Gol de Gustavo, Grêmio 1 x 0 Tamboril.

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Gustavo na comemoração do seu gol.

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Marcos comemorando seu gol: Grêmio 2 x 0 Tamboril.

Muita comemoração por parte dos jogadores do Grêmio da Quadra 01 que conquistou o seu bicampeonato municipal.

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A premiação aconteceu logo em seguida, com o Grêmio recebendo a importância de R$ 7.700,00 pelo primeiro lugar; o Tamboril recebeu R$ 3.850,00 pelo vice-campeonato; o Nacional, terceiro colocado, recebeu R$ 1.430,00 e o Flamenguinho, 4º colocado, ganhou R$ 550,00. Foram premiados ainda os artilheiros do campeonato, com R$ 550,00 sendo divididos entre Arenaldo (Biro), do Nacional, e Henrique, do Flamenguinho, com 8 gols cada. Biro também foi premiado como melhor jogador do campeonato, levando mais R$ 220,00. O goleiro Valter Júnior, do Flamenguinho, ganhou o prêmio de R$ 550,00 como o menos vazado do campeonato.

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Aleno recebendo a taça de vice-campeão.

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Cícero “Gambá” recebendo a taça de campeão.

Equipes:

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Grêmio da Quadra 01:  Tiago, Dedé (Lucas), Leandro, Joel Goiano, Serrinha, Nenem, Ayrton (Marcos), Lucílio, Fabinho, Gustavo (Antonio) e Gambá.

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Tamboril: Tebeu, Alan, Juninho, Marciel, Léo, Manoel (Galego), Caio, Enilson, Antonio (Nonato), Romário e Alan.

Arbitragem: Arbitro Central: Gilmar Lima – Assistente nº 1: Bartolomeu Silva e Assistente nº 2 : Miro da Silva.

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Bartolomeu, Assistente nº 1; Gilmar, Árbitro Central; e Miro da Silva, Assistente nº 2

Vejam mais algumas fotos:

Dez Lições de uma Noite Histórica.

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– Para não dizer que nada disse –

Roberto Malvezzi (Gogó)

Gravem a votação da Câmara, um dia mostrem aos filhos que ainda não nasceram. Jamais eles terão uma aula de política brasileira como a que mais de 500 deputados nos presentearam. Dez lições para jamais esquecermos:

Deus é um sujeito amoral, corrupto e sem caráter.

Não vote jamais. Se votar, e não for conforme minha vontade, eu casso seu voto.

Mulher presidenta só serve para ser torturada, estuprada, ofendida e destratada em público.

Num país como o Brasil o parlamentar pensa em sua mulher, seus filhos e seus eleitores.

A história sempre se repete como fato, não como farsa. Que o diga a Globo (Marinhos), a Folha de São Paulo (Frias), a Abril (Civita), a Fiesp, a OAB, o Supremo Tribunal Federal e o Bolsonaro.

No Brasil nunca diga “jamais”: a tortura, o golpe, a fome e a miséria sempre podem voltar.

Democratas de ontem podem ser os golpistas de hoje e a traição é a regra da sobrevivência política.

Estou me lixando para a democracia, a ética, a justiça e para o que você pensa.

Políticos dignos são minoria, mas eles existem e brilham como lâmpadas no inferno.

Por último, um recado de Cunha a Temer e a todos os brasileiros: “por hora sou vice, mas ainda serei o presidente do Brasil”.

O golpismo pariu o Bebê de Rosemary

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Lula em Remanso: Caravana da Cidadania em 1994.

Roberto Malvezzi (Gogó)

Atenção parlamentares ainda indecisos quanto ao impeachment de Dilma. Reparem na ironia das pesquisas exatamente na semana que se afunila o golpe. Os golpistas despencam nas pesquisas de intenções de voto e Lula aparece em primeiro. Será que esse recado lhes diz algo em relação ao futuro político?

Temer está no mesmo nível de impeachment de Dilma e, se fosse candidato, teria 1% dos votos. Cunha tem a rejeição de 77% dos brasileiros. Moro tem o mesmo nível de Bolsonaro. Os candidatos do PSDB despencam nas pesquisas eleitorais, quando deveriam estar em primeiro lugar, não é mesmo?

Segundo os desejos do conluio mídia, Moro, empresários e parlamentares golpistas, sim. Mas, segundo a multidão dos eleitores, não.

Essa articulação inflamou o ódio de classes no país, pelo viés da direita. Seja qual for o resultado, após o fim desse processo, a divisão estará cravada em nossa alma, não como cicatriz, mas como carne viva.

Se Dilma for saída, na linha sucessória teríamos em primeiro Temer, depois Eduardo Cunha, finalmente Renan Calheiros. Cunha será o vice-presidente do Brasil. Tá de bom tamanho o que se quer para o país?

A verdade é que a oposição de direita – mídia, Moro, empresários, parlamentares, etc. – pariu um monstro com olhos de cabra, como se fosse o Bebê de Rosemary.

Esse filho do diabo está devorando os próprios golpistas.

O Facebook proibido de Letícia Sabatella.

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Letícia Sabatella – Foto divulgação (captura de tela NBR).

Roberto Malvezzi (Gogó)

A primeira vez que vi Letícia pessoalmente foi quando ela veio visitar Frei Luis, em Sobradinho, quando ele estava em greve de fome. Desde então ficamos amigos.

Eu dirigia o carro e íamos de Juazeiro a Sobradinho quando o telefone tocou e era o aviso que a mãe da colega que estava com ela tinha acabado de falecer. Sem saber o que fazer, encostei o carro e perguntei o que faríamos. Ambas choravam, mas a colega dela disse que era para seguirmos em frente.

Depois, em Sobradinho, à medida que a consciência saiu do choque, vi Letícia fazendo o que pudesse para arrumar um meio da colega voltar ao Rio. Enquanto não resolveu, não sossegou.

Naquele dia veio uma tempestade feroz na região, depois de sete meses sem chuva. A energia aos pés da barragem de Sobradinho foi embora. Nossa celebração da noite foi à luz de vela. Ela estava lá. E eu me perguntava o que uma mulher famosa fazia naquele ambiente aparentemente tão adverso.

Saiu dali direto para Salvador para um evento de Petrobrás. Era para ela fazer o papel de mediadora do evento. Sacou a carta dos movimentos em defesa do São Francisco do bolso e a leu para todos os presentes. Uma pessoa da Petrobrás jurou para ela que jamais conseguiria qualquer apoio da empresa. Depois a Secretaria dos Direitos Humanos da empresa lhe pediu desculpas.

Depois nos encontramos várias vezes nesses ambientes de defesa de causas justas e dos direitos humanos.

A última vez que nos encontramos pessoalmente foi no ambiente da arte. Ela me indicou para fazer a palestra de abertura para atores, diretores e núcleo de produção da novela Velho Chico, no Rio. Por causa dela, eu fui. Ela ainda estava no elenco.

A oficina foi longa, de umas 5 horas. No intervalo, enquanto conversava com os artistas, sobretudo os do Nordeste, um grupo brincava no meio do palco. Então, uma atriz caiu de forma brusca e ficou desacordada. Veio o socorro e Letícia sumiu. Só reapareceu mais tarde, depois que a colega tinha sido removida e internada. Mas, telefonava a todo momento para o hospital para saber da situação. Não foi nada de mais grave.

Esses gestos dizem claramente que ela não está envolvida com as questões socioambientais, ou na defesa dos direitos humanos, por estratégia de marketing. São as convicções mais profundas, em defesa da causa indígena, do ambiente, dos direitos humanos, de toda causa justa.

O bloqueio de sua página no Facebook, ainda que tenha sido apenas temporário, confirma os tempos de razão obscura e corações raivosos que vivemos.

Ela falou bem diante de Dilma. Expressou a voz de milhões de brasileiros: “sou oposição ao seu governo, mas sou contra o golpe”.

A consciência que ela tem da realidade está à frente de 90% da população brasileira, inclusive de intelectuais e democratas de conveniência.

Por isso sua voz e suas atitudes incomodam e ela tem que suportar agressões. Não é por acaso que sua página foi proibida.

Uma Semana Santa pela Paz no Brasil.

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Seria interessante que os cristãos preocupados com a paz e a justiça se voltassem essa semana santa para o jejum e oração pelo Brasil. Não nos esqueçamos que essas foram as grandes armas dos maiores pacifistas do mundo, como Gandhi, Luther King, Mandela, D. Hélder e o próprio Jesus.

Não cabe a nós cristãos jogar gasolina no ódio que divide a sociedade brasileira. E corremos o risco de ver voltar regimes autoritários que tantas desgraças trouxeram ao país.

Lembremo-nos que a Igreja Católica colocou o povo na rua em 1964, com a Marcha da Família. Hoje não é mais preciso que Igreja cumpra esse papel. Setores da grande mídia e as redes sociais se encarregam de organizar e inflamar as paixões que estão nas ruas.

Lembremo-nos que nesse momento da história, todos os elementos que estiveram nos outros golpes continuam na praça: setores da grande mídia, a classe média branca, os empresários. Mas, esse golpe ainda não tem a digital da Igreja e dos militares.

Pelas declarações, a CNBB pede serenidade nesse momento, inclusive alertando continuamente sobre o risco de quebrarmos nossa frágil ordem democrática.

As multidões nas ruas estão divididas. De um lado setores privilegiados que querem a qualquer custo a derrubada da presidenta, de outro os grupos que fazem a defesa da democracia, ainda que não das mazelas do atual governo.

No fundo não está apenas o combate à corrupção, mas o pretexto da corrupção para interesses subterrâneos de poder, tanto em nível nacional como internacional. Podemos combater a corrupção sem quebrar a ordem democrática.

Lembremo-nos das vítimas da ditadura civil-militar de 1964: Frei Tito, Pe. Henrique, os dominicanos, tantas lideranças populares e de comunidades presas, torturadas e mortas durante esse período.

Lembremo-nos também dos jornalistas, dos líderes operários e sindicais, a exemplo de Santo Dias da Silva.

Lembremo-nos do sofrimento imposto a tanta gente de Igreja ou pessoas de boa vontade que pagaram na pele e na sua família o peso do ódio cego.

Lembremo-nos que a ditadura não precisa ser necessariamente militar – “O avanço da ditadura civil brasileira”     http://www.robertomalvezzi.com.br/visao/index.php?pagina=3&artigo=82   -, mas pode ser simplesmente civil, decretada por um ou mais juízes, por um grupo de parlamentares, com a legitimação de profissionais e organismos de mídia.

Um pouco de oração e jejum pelo Brasil fará bem a todos nós.

A jararaca, Lula e D. Darcy.

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Meu pai sempre teve vida no campo, até hoje, embora eu já me conhecesse morando em cidades no interior de São Paulo.

Ele nos ensinava a matar cobras. Não se bate a primeira nem no rabo, nem na cabeça. No rabo ela te dá um bote. Na cabeça, se errar, ela te morde. Então, com um pau duas vezes maior que a cobra, se bate a uns dois palmos da cabeça, para quebrar a espinha dorsal. Depois se esmaga a cabeça.

Mesmo assim, quando já tinha mais de 80 anos, foi mordido por uma cascavel quando cortava cana. Sobreviveu, continua rastelando o quintal do sítio até hoje com mais de 90 anos.

Mas, assim era no passado. Hoje o mundo da biodiversidade nos ensina que cada ser tem um papel na natureza. Papa Francisco, na Laudato Si, diz que “cada criatura tem sua mensagem”. Por isso, as cobras não venenosas têm seu lugar na natureza, como controladoras de ratos e outros roedores que transmitem doenças. Além disso, comem cobras venenosas. Aqui pelo sertão ainda é costume algumas famílias criarem jiboias em casa para espantar as venenosas.

É do veneno da jararaca que se faz o remédio mais potente contra a pressão alta, inclusive de mulheres grávidas. Então, não é sinal de inteligência matarmos as cobras.

Convivi com D. Darcy no tempo de seminário redentorista. Aliás, fui seu professor de literatura durante ao menos um ano. Era uma pessoa simples e de alma generosa.

Mas, ele fez um sermão sobre cobras, particularmente a jararaca, que repercutiu no Brasil inteiro.  Talvez, lendo o Papa Francisco, ele possa atualizar o discurso, quem sabe mais ecológico, mais afinado com os tempos modernos. Vamos respeitar a mensagem de cada criatura.

Segundo, vi-o algumas vezes em Aparecida arrodeado de outras víboras da política brasileira. E ele parecia bem à vontade. Nesse campo não se pode jamais ter dois pesos e duas medidas, sob o risco de sermos mortalmente envenenados.

Então, assim como na natureza, a biodiversidade política é fundamental onde queiramos que reine a democracia, desde que o respeito mútuo seja maior que nossos interesses partidários. Como nos ensinava Jesus, “sejamos simples como as pombas e astutos como as cobras”.

A própria CNBB, oficialmente, tem se colocado em defesa da democracia, contra os golpes e no combate à corrupção venha de onde vier.

Para um bom entendedor, uma minhoca basta.

Saneamento e a escassez qualitativa da água.

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Roberto Malvezzi “Gogó”

Quando Pero Vaz de Caminha chegou ao litoral brasileiro, além da admiração pelos índios e índias, pela exuberância da floresta litorânea, ele fica deslumbrado com a quantidade de águas. Vai escrever ao rei:  “águas são muitas; infinitas. Em tal maneira graciosa (a terra) que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das aguas que tem! ”. Frase que depois, falsificada, fica reduzida a “nesse país em se plantando tudo dá”.

Quando o Brasil elaborou seu Primeiro Plano Nacional de Recursos Hídricos, participei com poucas pessoas do Nordeste para inserir no Plano a captação da água de chuva. Juntando várias fontes o Plano concluía que temos aproximadamente 13,8% das águas doces mundiais em território brasileiro.

Temos a maior malha de bacias hidrográficas do planeta, além do que somos o único país do mundo de dimensões continentais que tem chuva em todo território nacional. Outros países como China, Estados Unidos e Austrália tem imensos desertos em seus territórios.

Os dois maiores aquíferos do mundo estão em grande parte em território brasileiro, como o Alter do Chão na Amazônia e Aquífero Guarani que abrange regiões do sul e sudeste, além de outros países do cone sul.

Ainda mais, os rios voadores que saem da Amazônia chegam até Buenos Aires – para outros até à Patagônia – e são os responsáveis pelas chuvas que caem em todo esse vasto território da América Latina.

Nem mesmo a propalada diferença de quantidade de água de região para região pode ser alegada como problema. O Semiárido, com um milhão de quilômetros quadrados, com uma média de 700 mm/ano, tem capacidade instalada para armazenar apenas 36 dos 700 bilhões de m3 que caem sobre esse território todos os anos.

Onde está, então, nosso problema? Exatamente na abundancia, nos ensinava o já falecido Prof. Aldo Rebouças. Ela nos tornou perdulários e, junto com a cultura predadora construída desde a fundação do Brasil, passamos a maltratar as nossas águas.

Aos poucos estamos perdendo não só a abundancia pela destruição do ciclo de nossas águas – desmatamento da Amazônia e do Cerrado -, mas transformando nossos corpos d’água em depósitos de esgotos e de lixo. São as mineradoras – vide Samarco -, dejetos industriais, domésticos, hospitalares, agrícolas e resíduos sólidos como lixo doméstico e restos de construções. Basta olhar para o rio São Francisco.

Dessa forma, além de estarmos provocando a escassez quantitativa, estamos provocando a escassez qualitativa, isto é, os mananciais estão diante dos nossos olhos – Pinheiros e Tietê em São Paulo -, mas suas águas são imprestáveis para qualquer tipo de uso.

Nesse sentido, mais uma vez, a importância da Campanha da Fraternidade sobre o saneamento básico. Ao coletar e tratar os esgotos, manejar adequadamente os resíduos sólidos, estaremos dando a maior contribuição para superar a escassez qualitativa de nossas águas.

Alerta: cientistas e juristas que estiveram na elaboração do conteúdo do Texto Base da CF, nos alertam que o governo está focando a luta contra as doenças em evidência no combate ao mosquito, desviando o foco do fundamento básico do saneamento.

Papa Francisco nomeia Bispo Coadjutor de Juazeiro (BA)

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O Papa Francisco nomeou nesta quarta-feira, 17/02, o Bispo Coadjuntor de Juazeiro.

Frei Carlos Alberto Breis Pereira (Frei Beto Breis), OFM, que assumirá como Bispo Coadjutor de Juazeiro, é Ministro Provincial da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil. Atualmente é Vigário Paroquial da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – SALGADINHO, Convento São Francisco, em Olinda-PE.

Natural de São Francisco do Sul (SC), nasceu em 16 de setembro de 1965. Ingressou na Província Franciscana da Imaculada Conceição e fez o noviciado. Depois, transferiu-se para a Província de Santo Antônio, em Olinda-PE.

Realizou sua profissão religiosa em 10 de janeiro de 1987 e foi ordenado sacerdote em 20 de agosto de 1994. Estudou Filosofia no Instituto de Teologia do Recife e Teologia no Instituto Franciscano de Teologia de Olinda.  Licenciou-se em Teologia Espiritual na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma (2005-2007).

Frei Beto Breis (Facebook).

Frei Beto Breis. Fonte da Foto: Página do Facebook.

Frei Carlos Alberto foi pároco em várias paróquias; mestre dos professores temporários; secretário provincial da formação e estudos; guardião e definidor provincial; vigário provincial; moderador da formação permanente; coordenador do serviço de formação da Conferência O.F.M. no Brasil.

Ano passado, durante coletiva de imprensa para anúncio da programação dos festejos da Padroeira de Juazeiro e da Diocese, Nossa Senhora das Grotas, o Bispo Diocesano Dom José Geraldo ja havia anunciado a sua aposentadoria para este ano.

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D. José Geraldo, bispo da Diocese de Juazeiro, Bahia. Foto: Tovinho Régis

Em comunicado distribuído à imprensa na manhã desta quarta-feira, 17/02, Dom José Geraldo fez o anúncio da nomeação de Frei Beto. “Não é a pessoa que eu tinha sugerido, mas, pelo currículo dele creio que trará grandes esperanças para a nossa Diocese e corresponderá certamente ao que nós pensávamos. É franciscano, deixando-nos muito à vontade às margens do Rio Francisco  (sic). Aliás, ele é originário da cidade de São Francisco do Sul, localizada na Ilha de São Francisco. Parece profético!”.

Tudo indica que Dom José Geraldo ainda permanecerá na condução da Diocese de Juazeiro até o mês de agosto, quando completará 75 anos. Na coletiva D. José Geraldo disse ainda que após a sua demissão deverá fixar residência em Juazeiro, cidade que o acolheu como se fosse um filho da terra.

Os amigos de Frei Beto o saúdam pela nomeação. Eu destaco o comentário de Manoel Torquato: “Bispo!!!! Que massa!!! Viva a igreja progressista!!! Parabéns meu amigo!!! Quando tiver passando por Juazeiro passo aí pra lhe dá um abraço!”.

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Comentários na página pessoal de Frei Beto no Facebook.

Boas vindas ao Frei Beto e que Deus o ilumine nessa nova e dura jornada na Diocese de Juazeiro.

BISPO-anuncioD. Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife, em companhia de Dom Genilval Saraiva, Bispo Emérito de Palmares-PE, fizeram o anúncio a Frei Beto.

Fonte: ACI Digital e Diocese de Juazeiro

PS.: O bispo-coadjutor é um bispo-titular da Igreja Católica nomeado para ajudar e substituir um bispo, arcebispo ou um prelado no exercício das suas funções com direito a sucessão. Ele deve ser nomeado vigário-geral pelo bispo diocesano. Vagando a Sé episcopal, o bispo-coadjutor torna-se imediatamente o bispo diocesano.