Micareta de Remanso 2015: Audiência Pública vai mostrar estrutura e ações integradas para garantir qualidade do evento

Foto de arquivo.

Foto de arquivo (Micareta de 2013).

A Prefeitura Municipal de Remanso realiza na próxima segunda-feira (20), às 17h, na Câmara de Vereadores, Audiência Pública para apresentar à população e imprensa a estrutura de funcionamento da Micareta de Remanso 2015, que acontecerá de 01 a 03 de maio.

Com a participação de secretários do governo municipal e de órgãos de segurança, serão explanadas as ações que vão ser implementadas de forma integrada entre as secretarias de Turismo e Cultura; da Infância e da Juventude; Igualdade e Assistência Social; Meio Ambiente e Recursos Hídricos; Trabalho, Emprego e Renda; Obras e Serviços Públicos; Secretaria de Saúde, além do Ministério Público, Justiça, polícias Militar e Civil e Juizado de Menores, com o objetivo de garantir aos foliões e visitantes uma festa segura, de paz e com muita diversão.

A Micareta de Remanso faz parte do calendário festivo da região, atraindo milhares de foliões da Bahia e de outros estados.  Nessa 29ª edição, além de uma grade de atrações de renome nacional e artistas locais, será dada atenção especial às crianças e adolescentes, com a realização da Micaretinha na Praça (bailinho infanto-juvenil), desfile de bloco, fiscalização e acompanhamento sistemático dos órgãos de proteção.

Outro aspecto a ser destacado serão as inciativas de saúde e sustentabilidade ambiental, observando higienização das barracas e estandes, reciclagem de produtos descartáveis, uso correto da água, unidade de atendimento médico e receptivo para orientar os visitantes quanto aos atrativos do município e serviços oferecidos nos três dias de folia.

CD “Chão Brasileiro” e 25 anos do Irpaa.

Roberto Malvezzi (“Gogó”)*

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Durante essa semana o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) celebra seus 25 anos de trabalhos.

A cooperação da instituição para o novo paradigma da “Convivência com o Semiárido” é inestimável, embora não seja único, claro.

O Irpaa, irmanado à Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), deu inestimável contribuição à reflexão sobre o Semiárido, colaborou na pesquisa e difusão de novos conhecimentos, novas tecnologias e também na luta pela terra e pela água.

O resultado dessas lutas, feitas por todo chão do Semiárido, é que superamos a mortalidade infantil, a fome, a sede, a miséria, as frentes de emergência e os saques. O Irpaa é parte do núcleo duro dessa superação.

Chico Buarque tem uma música que dizia “perguntas que vidas que andam juntas não se faz”. Utilizando a metáfora, nós da diocese de Juazeiro, particularmente a Comissão Pastoral da Terra (CPT) temos andado juntos nessa caminhada. Boa parte dos fundadores do Irpaa vieram das pastorais sociais da diocese. Essa caminhada continua até hoje.

Durante toda semana haverá palestras e reflexões sobre essa caminhada no Centro Cultural João Gilberto. No sábado, dia 18, a partir das 20 horas, para encerrar, haverá uma festa aberta no João Gilberto com música e cultura.

Lá vou apresentar meu novo CD “Chão Brasileiro”. Com 15 músicas, muitas em parceria com Targino Gondim e Nilton Freittas, arranjado e produzido pelo Rennan Mendes, participação de Camila Yasmine e outros, o CD traz exatamente a temática dessas lutas sociais pela vida melhor no Semiárido.

Muitas das músicas que fiz, inclusive, tem solicitação direta dos educadores do Irpaa, como a música “Água de Chuva”, “Menino, segura esse bode”, “Mudança de Clima” e “Pedagogia da Seca”.

Então, desejamos vida longa ao Irpaa, a todos os lutadores do Semiárido por uma vida digna e reiteramos o convite para todos os interessados em participar da festa de encerramento no dia 18.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

O aparelhamento do Estado por grupos religiosos

Roberto Malvezzi (Gogo)*

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A pluralidade e a liberdade religiosas são direitos constitucionalmente garantidos. Portanto, quando igrejas ou grupos religiosos se multiplicam pelos bairros das cidades brasileiras elas estão garantidas do ponto de vista constitucional como qualquer outra religião.

Quando seus fiéis depositam seu dízimo para suas igrejas, a questão se resume ao seu próprio ambiente eclesial e ninguém pode se intrometer nessa decisão.

Se alguns pastores se tornam milionários e até bilionários, aparecendo na revista Forbes entre as pessoas mais ricas do Brasil, se padres ostentam riqueza, se os fiéis sabem e aceitam, também não há como se opor a esse fato.

Entretanto, quando essas igrejas ou grupos religiosos aparelham o Estado brasileiro para seus próprios fins, ou para impor seus valores e ideias sobre o conjunto da sociedade, então está criado um fato político que interessa a toda a sociedade.
Não é só questão de eleger deputados e eles operarem como uma facção dentro do parlamento. Na quase inexistência de partidos políticos no Brasil, as facções – ruralistas, da bala, da bola, etc. – controlam o Congresso para conseguir seus objetivos.

Também não é só o problema de ocuparem comissões chaves do Congresso, como quando ocuparam a de direitos humanos para impor seu credo. É grave, mas não é o problema maior.

A questão decisiva é quando querem fazer do Estado uma extensão de suas igrejas ou de seus grupos. Aí já não é mais uma questão religiosa, mas política. Afinal, o Estado brasileiro é laico. Com isso estamos dizendo que ele não pertence a nenhum credo, inclusive ao credo ateu. Simplesmente se quer dizer que o Estado não pode tomar nenhum partido religioso, seja da religião como credo, seja do ateísmo militante. Sua tarefa é zelar pelos direitos de todos os cidadãos brasileiros.

As citações fundamentalistas da Bíblia para justificar a diminuição da maioridade penal é uma aberração e manipulação bíblico-teológica, mas que pode se transformar em política no trato com a juventude.

Há questões éticas que são transformadas em questões políticas, como é o caso do aborto, pena de morte, ou mesmo essa da maioridade penal. Entretanto, em nível político a questão tem que ser debatida com argumentos éticos, sociais, políticos, respeitando a sociedade e os direitos dos envolvidos, não com manipulações bíblicas.

O aparelhamento do Estado por facções, seja qual for, é perversa para a democracia, mesmo que ela seja de origem religiosa.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Solidariedade aos famintos e sedentos do Itaim Bibi e Morumbi.

Roberto Malvezzi “Gogó”

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Toda a solidariedade aos famintos e sedentos do Itaim Bibi, Morumbi, outros bairros nobres e outras doze capitais brasileiras que fizeram um panelaço. De fato, não demarcar as terras indígenas, construir grandes obras para agradar as empreiteiras, cortar direitos dos trabalhadores, não fazer a reforma agrária, são exemplos típicos que merecem o povo nas ruas.

Mas, a fome e a sede excedem qualquer motivação das anteriormente citadas. Aqui pelo sertão do Semiárido Brasileiro lá pelas décadas de 1980 ainda tínhamos muita fome e muita sede. Vimos gente migrando, trabalhando em Frentes de Emergência, buscando uma lata d’água quilômetros distante de suas casas, saqueando cidades, morrendo literalmente de inanição, isto é, fome e sede. As principais vítimas eram as crianças e nossos índices de mortalidade infantil estavam em níveis da África Subsaariana. Agora não. Estamos nos níveis toleráveis dos padrões da ONU.

Impossível que alguém que ainda se julga humano não reaja indignado a tanta miséria e sofrimento. Hoje essas cenas macabras da miséria já não existem mais aqui em nossa região. Trabalho simples de captação de água de chuva, tanto para beber como para produzir, ajudaram a superar ao menos a fome e a sede. Problemas graves ainda existem, não mais essas desumanidades.

Portanto, se hoje a fome e a sede se deslocaram dos nossos sertões para o Itaim Bibi e outros bairros nobres de São Paulo – panelaço é uma forma de protesto de famintos e sedentos – e outras capitais, então, merecem todo respeito.  E merecem nossa solidariedade. Afinal, fome e sede tem que ser página superada da história e não voltarmos atrás, agora se replicando onde menos imaginávamos.

Portanto, estamos com todos aqueles que protestaram. Fome e sede nunca mais.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Delatores não são heróis.

Roberto Malvezzi “Gogó”*

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Delatores não são heróis e nem profetas. Delator é parte do grupo e do esquema que ele mesmo denuncia.

Assim também são os 15 delatores do caso PETROBRAS. Eles eram corruptos ou corruptores do esquema. Alguns, inclusive, vem desde o governo FHC, passando pelo governo Lula e entrando no governo Dilma. Então, para salvar o próprio pescoço, entregam seus antigos comparsas para as malhas da polícia ou da justiça.

Agora se diz que vão pagar cinco milhões, vão cumprir prisão em suas casas. Quem pode pagar essa quantia não vive de salário. Portanto, palavra de delator só tem alguma confiabilidade se materialmente comprovada.

Parece que o mundo da especulação financeira e da corrupção é um útero de delatores. Quem já viu o filme “O Lobo de Wall Street” sabe que, quando o esquema de lavagem de dinheiro foi descoberto, “velhos amigos” não tiveram nenhuma piedade de entregar seus comparsas para salvar a própria pele.

Portanto, delator não é um herói. O herói é capaz de denunciar também seu próprio grupo, mas para o bem maior do povo o qual defende, não para salvar a própria pele.

Também não é um profeta, que denuncia também seu próprio grupo – ou autoridades, ou o próprio povo, como no caso dos profetas bíblicos -, mas para salvar a causa maior da justiça. Os profetas pagavam na própria pele o preço de suas denúncias, tantas vezes presos, tantas vezes assassinados por aqueles que eles denunciavam.

Todo ser humano pode mudar para melhor, também os delatores. Mas, não parece ser  o caso na Lava Jato.

O povo brasileiro há muito está cansado da corrupção. É preciso relembrar sempre que a KPMG calcula uma sangria de 160 bilhões de reais por ano no Brasil em função da corrupção. Mas aí entra a sonegação, superfaturamento de obras, o “dízimo” dos contratos, daí prá fora. Portanto, o caso PETROBRAS é parte ínfima do grande ralo.

Alguns especialistas nos dizem que, sem mudar a Lei de Licitações e a de Falências, jamais vamos diminuir as brechas legais da corrupção.

Países da Europa, como Alemanha e França, arraigadamente capitalistas, controlam o uso do dinheiro público de forma rigorosa através das instituições, não de delatores.

Convenhamos, “delação premiada” é uma honra ao mérito do crime organizado. Triste do país que tem instituições frágeis e precisa de delatores para expurgar as imundícies de suas entranhas.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Dilma, os órfãos e as viúvas.

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Se há uma tradição bíblica onde o Deus judaico-cristão se manifesta claramente, é exatamente no cuidado com os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Para esse Deus, essas são cláusulas pétreas e inegociáveis.

Esse cuidado não era por acaso, mas porque esses eram os grupos de pessoas mais desamparados da sociedade daquele tempo.

O Deus bíblico vai sempre lembrar ao povo judeu esses cuidados, até porque tinha sido escravo no Egito.

Portanto, é chocante ver que o governo Dilma escolheu exatamente os mais indefesos da sociedade – órfãos e viúvas e desempregados – para fazer os ajustes que a economia de mercado, ainda um tanto neoliberal, exige.

Ela tinha milhões de modos para arrecadar mais, ou gastar menos, para angariar reservas com a finalidade de pagar a sede insaciável dos juros da dívida pública. Poderia retomar os impostos dos carros, fazer as grandes fortunas pagarem algo pelo seu luxo, aumentar o imposto do cigarro, dos refrigerantes, ou de qualquer outra porcaria que não afetasse a vida dos brasileiros. Mas, ela preferiu reduzir em 50% a pensão das viúvas, o que impacta diretamente o cuidado com seus filhos.

Certamente cada leitor conhece alguma família em que a mãe morreu cedo, ou o pai, ficando aquele que continua vivo responsável pelos seus filhos. Certamente sabe a situação dramática que é enfrentar a viuvez e o cuidado com os filhos. Então, exatamente quando mais precisa, é exatamente onde o governo escolheu cortar para arrecadar e saciar os deuses do mercado.

Dilma dissera que não mexeria nos direitos dos trabalhadores, nem que a vaca tossisse. Nem precisou.

Nesse país os contratos são vacas sagradas e intocáveis, mas só se forem do capital com o governo. Os contratos do governo com a população são facilmente quebrados, sempre em nome dos ajustes econômicos. Basta lembrar o fator previdenciário, o reajuste das aposentadorias, agora o seguro desemprego, agora a pensão das viúvas e viúvos.

O governo Dilma conseguiu preservar empregos mesmo com a economia aí posta patinando. Na Grécia, Espanha e outros países da Europa a crise econômica jogou nas ruas milhares de pais de famílias. Na Espanha cerca de 50% da juventude continua desempregada, mesmo sendo altamente qualificada. Mas, essa qualidade do governo não lhe dá autoridade para sacrificar aqueles que não tem como se defender.

Segue sobre essa realidade o silêncio dos sindicatos e da sociedade em geral, inclusive das igrejas.

A crise é hídrica, não energética.

Roberto Malvezzi (Gogó)*
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Desde o apagão de 2002 no governo Fernando Henrique, ficou provado que o sistema brasileiro de geração de energia a partir da água não se sustenta mais. Modificamos o regime das chuvas, os volumes de água reservados estão sujeitos a estiagens mais prolongadas e mais constantes todos os anos. Tanto é que o nível de 85% dos reservatórios brasileiros em janeiro de 2015 é considerado mais baixo que o do apagão de 2002. Não é por acaso que temos problemas de abastecimento de água até para consumo humano e industrial, quanto mais para gerar energia.

Remansenses passeiam pela área onde ficava a velha Remanso, Lago de Sobradinho.

Remansenses passeiam pela área onde ficava a velha Remanso, Lago de Sobradinho.

O Brasil insiste em construir hidrelétricas para resolver seus problemas de energia. Hoje o cidadão comum tem claro que quem impõe a agenda de obras no Brasil são as empreiteiras. Elas financiam as eleições e depois recebem o cêntuplo com os investimentos em grandes obras. As hidrelétricas estão entre as maiores obras desse país.

Nosso desafio não é construir mais barragens, mas ter água para locupleta-las. Na data que escrevo esse texto o nível dos reservatórios está em média nacional girando em 20%. Portanto, há uma ociosidade de 80%. Com 50% dessa capacidade locupletada o governo e empresas do ramo estariam rindo à toa. Portanto, não é mais uma Belo Monte, uma Teles Pires, ou outra barragem qualquer que vai resolver esse desafio. Nosso problema fundamental está nas águas, não na capacidade instalada dos reservatórios.

Quem quiser a prova é só visitar a barragem de Xingó, no Baixo São Francisco. Na parede da barragem está a infraestrutura para se instalar 11 turbinas, mas só seis estão instaladas. Quando se pergunta aos técnicos porque não instalar as demais, ao contrário de construir novas barragens, a resposta é simples: não temos água para acionar onze turbinas.

Certas reportagens insistem que se outras obras estivessem feitas – Belo Monte, Teles Pires, etc. –, nós não estaríamos passando pelo problema da crise energética, originada pela crise hídrica. Portanto, para esse setor midiático, é no atraso das obras, na dificuldade dos licenciamentos ambientais, na inoperância das empreiteiras que reside o problema.

O fato é que, se hoje temos 22% de nossa matriz energética baseada nas termoelétricas, é simplesmente porque nossas hidrelétricas já não são mais capazes de garantir a energia que esse modelo de desenvolvimento demanda. Portanto, vamos construir todas as hidrelétricas da Amazônia, vamos devastar nossos últimos rios, vamos remover nossas populações, mas vamos ter que construir novas termoelétricas para garantir energia, cada vez mais cara – cortamos o consumo e a conta do mês só aumenta -, cada vez mais escassa.

A seta indica onde fica o nível da água quando o Lago de Sobradinho está no seu nível normal.

A seta indica onde fica a água quando o Lago de Sobradinho está no seu nível normal.

A crise hídrica tem consequências para o abastecimento humano, a dessedentação dos animais (vide Nordeste e região do Rio de Janeiro), indústria, agricultura, a geração de energia e todos os múltiplos usos da água. Será que nem por amor à galinha dos ovos de ouro somos capazes de rever os rumos predadores de nossa civilização?

Enquanto isso o sol do Nordeste brilha doze horas por dia e os ventos sopram forte na costa e no sertão nordestino.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

A sustentabilidade dos mananciais (A ética do uso da água)

Reberto Malvezzi (Gogó)*

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Quando a lei brasileira de recursos hídricos 9.433/97 incorporou em seu texto o uso prioritário da água para consumo humano e a dessedentação dos animais (Art. 10, Inc. III), ela estava assimilando uma escala de valores. Quando falamos em valores – e numa hierarquia de valores -, então estamos falando de ética.
Esses princípios já existiam a partir de uma reflexão global (Princípios de Dublin), quando setores da humanidade deram-se conta que estávamos mergulhando numa crise da água. Ela faz parte de uma crise civilizacional maior, que sobre usa os bens naturais acima do que a natureza pode oferecer, ou num ritmo mais veloz do que ela é capaz de repor. É o que se chama de insustentabilidade.

Mas, há um vácuo na ética da água no Brasil. Não existe na lei brasileira de recursos hídricos nenhum parágrafo que normatize o cuidado com os mananciais, a não ser um princípio geral da referida lei que afirma ser necessária a gestão dos recursos hídricos integrada à gestão ambiental (Art. 30, Inc. III).

Em 2004, quando a Campanha da Fraternidade da CNBB questionou esse vazio, a resposta das autoridades é que essa dimensão estava implícita em outras leis ambientais, sobretudo no Código Florestal. Porém, o Código foi modificado.
Sem a vegetação, a penetração da água que forma os lençóis freáticos se reduz de 60% para 20%. Sabemos que é o rio aéreo da Amazônia que abastece todo sul e sudeste brasileiros, dependendo da evapotranspiração da floresta.

Entretanto, quem pretende ter água nessa região, tem que respeitar também os parâmetros ecológicos locais para que ela esteja ao alcance. Logo, a compra de áreas de preservação na Amazônia em troca do desmatamento em nível local não soluciona o problema da recarga dos aquíferos. É preciso preservar a Amazônia e a vegetação local.

Os dois principais programas do governo federal para a água são no sentido de expandir o consumo. O Água para Todos visa realizar o valor primordial no uso da água que é o abastecimento humano. O Oferta de Água visa expandir seu uso econômico. Temos ainda investimentos pelo PAC em abastecimento humano, com o objetivo de ampliar os serviços de saneamento básico. Entretanto, não temos nenhum programa relevante em termos de proteção dos mananciais.

Sem uma visão sistêmica do ciclo das águas e sem uma ética do uso da água que implique o cuidado dos mananciais, comprometeremos sempre mais o abastecimento humano, a dessedentação dos animais e os demais usos.
O óbvio ulula diante de nossos olhos.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Quando as ideologias (religiões) perdem o senso do humano.

Roberto Malvezzi (Gogó)*

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Gramsci, um dos maiores estudiosos das ideologias, nos dizia que o “senso comum, as religiões e as filosofias são tipos de ideologias”. Dizia ainda que o senso comum é a mais precária delas, as religiões são um pouco mais elaboradas e a filosofia era a ideologia melhor acabada.

A identificação da religião como uma ideologia nunca foi aceita, por exemplo, pelo magistério católico. Todos os documentos originados no Vaticano vão fazer distinção entre religião e ideologia.

Mas, Gramsci deu à ideologia um sentido positivo, como um conjunto de ideias organizadas que orientam a vida particular e de grupos na vida e na disputa pelo poder. Nesse sentido, para ele as religiões também são ideologias. Afinal, quem se orienta pela opção pelos pobres, pela justiça, pela paz, etc., tem um conjunto de ideias articuladas (princípios) que as orientam na vida e luta social.

O assassinato de doze pessoas na França em nome da religião re-suscita essa questão. Afinal, os matadores se pronunciaram em nome de Alá. Porém, logo foram contestados pelo próprio mundo islâmico, que distingue entre os ensinamentos de seu profeta Maomé e a leitura que grupos sectários fazem desse mesmo princípio. Sem dúvida, a chacina torna muito mais difícil a vida dos islâmicos em território europeu.

O fato também serviu para que muitos utilizassem o fato para dizer as vantagens da razão iluminada diante dos obscurantismos das religiões. De fato, em nome da fé a Igreja Católica organizou Cruzadas – inclusive de crianças – criou a Inquisição e promoveu outros horrores ao longo da história, como a própria conquista das Américas em nome da espada e da cruz. As Cruzadas eram guerras exatamente contra os islâmicos.

Mas, se observarmos bem os fatos, veremos que o problema está nas ideologias, todas elas, inclusive as laicas, quando perdem o senso do humano. As conquistas da razão iluminada são indiscutíveis para o progresso da técnica e da ciência, mas os efeitos dramáticos da racionalidade pura se abatem hoje sobre a humanidade e o planeta.

A Primeira Guerra Mundial, a Segunda, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e Afeganistão, a colonização europeia em outros continentes, nenhuma dessas atrocidades foi feita em nome das religiões, mas de interesses e prepotência de nações e seus capitais diante dos mais fracos. A racionalidade moderna gerou milhões de mortes e ainda lançou a bomba atômica sobre o Japão. Pior, está gerando a mudança no clima do planeta, sem que os próprios cientistas saibam exatamente o que pode acontecer a todas as formas de vida, principalmente a humana.

Nem as esquerdas escaparam. Em nome do socialismo Stalin promoveu o expurgo de todos seus adversários. As esquerdas revolucionárias das américas e África nunca conseguiram entender os indígenas – portanto, respeitar -, lideranças tradicionais e costumes diferentes da racionalidade ocidental. Aliás, é sempre bom lembrar que capitalismo e socialismos são apenas as duas faces da mesma racionalidade iluminada do ocidente. A Bolívia ensaia um modelo que inclua o melhor do mundo contemporâneo com o melhor das tradições indígenas, inclusive o que os nativos assimilaram de melhor do cristianismo.

Portanto, as ideologias são inevitáveis, mas cuidado com todas elas, religiosas ou não. Quando em nome de “seu deus” perdem o respeito pela pessoa humana e pela natureza, elas cometem atrocidades.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Lançamento de livro: CADA VIDA UMA HISTÓRIA – Rafaela Brito

Lançamento do livro de Rafaela Brito

No último sábado, 27/12, a jovem poetiza Rafaela Brito lançou o seu livro de poesias “Cada Vida Uma História”, no auditório da UNIFAN, em Remanso, Bahia.

Rafaela nasceu no dia 4 de dezembro de 1991 em Remanso. Filha de Evandro Ferreira Amorim e Rosineide Brito Ferreira, ela iniciou seus estudos aos 4 anos de idade na Escola Municipal MS Rosa Amorim, na localidade de Boa Esperança, interior do município de Remanso. Concluiu o seu segundo grau no Colégio Municipal Antônio Borges Vargas, na localidade de Jatobá, também no interior de Remanso.

Sou testemunha da grande luta de Rafaela para conseguir lançar a sua obra. Foram vários anos de garimpagem junto aos órgãos ligados ao poder público, principalmente junto à Assembleia Legislativa da Bahia, entretanto sempre tinha um porém e não acontecia. Resignada, Rafaela absorvia todas as negativas como se fosse um tônico revigorador. Nada a fez desistir.

Como Rafaela coloca nos agradecimentos do seu livro: “…ao professor Alcides Ribeiro Filho, reitor da Unifan, sem o qual não seria possível a realização deste sonho que agora se concretiza com a publicação deste livro”. Aqui eu, em nome dos remansenses, agradeço ao professor Alcides e à Unifan por mais este apoio aos que a gente tem de chamar de baluartes da nossa cultura. Foi assim também no caso do Museu do Sertão Antônio Coelho Maia.

Toda vez que vou a um ato desses fico muito triste pelo descaso que muitos têm para com os nossos escritores. A ausência de autoridades ligadas à área cultural no nosso município no lançamento do livro de Rafaela reflete um pouco a importância dada a este tipo de evento. Gostaria que as nossas “autoridades”, ao invés de tomarem as criticas feitas como atos de oposição, refletissem um pouco e invertessem as prioridades dadas ou pelo menos dessem o mesmo grau de importância que dão a eventos nem tão “culturais” assim.

Parabéns à Rafaela e a Remanso por mais uma obra para ETERNIZAR a nossa cultura.
Vejam algumas fotos do evento:

Rafaela, seus pais Evandro e Rosineide e o professor Alcides Ribeiro Filho.

Rafaela, seus pais Evandro e Rosineide e o professor Alcides Ribeiro Filho.

Maria Luiza Régis, vencedora do prêmio GEO de melhor em redação do 6º Ano, marcando presença.

Maria Luiza Régis, vencedora do prêmio GEO de melhor em redação do 6º Ano, marcando presença.

Público pequeno, mas que soube valorizar a obra de Rafaela.

Público pequeno, mas que soube valorizar a obra de Rafaela.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Autografando o meu exemplar. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Autografando o meu exemplar. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila, Maria Luiza e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila, Maria Luiza e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rosineide Brito Ferreira, mãe de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rosineide Brito Ferreira, mãe de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Evandro Ferreira Amorim, pai de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Evandro Ferreira Amorim, pai de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela, Professor Alcides e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela, Professor Alcides e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila e Maria Luiza. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila e Maria Luiza. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.