Solidariedade aos famintos e sedentos do Itaim Bibi e Morumbi.

Roberto Malvezzi “Gogó”

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Toda a solidariedade aos famintos e sedentos do Itaim Bibi, Morumbi, outros bairros nobres e outras doze capitais brasileiras que fizeram um panelaço. De fato, não demarcar as terras indígenas, construir grandes obras para agradar as empreiteiras, cortar direitos dos trabalhadores, não fazer a reforma agrária, são exemplos típicos que merecem o povo nas ruas.

Mas, a fome e a sede excedem qualquer motivação das anteriormente citadas. Aqui pelo sertão do Semiárido Brasileiro lá pelas décadas de 1980 ainda tínhamos muita fome e muita sede. Vimos gente migrando, trabalhando em Frentes de Emergência, buscando uma lata d’água quilômetros distante de suas casas, saqueando cidades, morrendo literalmente de inanição, isto é, fome e sede. As principais vítimas eram as crianças e nossos índices de mortalidade infantil estavam em níveis da África Subsaariana. Agora não. Estamos nos níveis toleráveis dos padrões da ONU.

Impossível que alguém que ainda se julga humano não reaja indignado a tanta miséria e sofrimento. Hoje essas cenas macabras da miséria já não existem mais aqui em nossa região. Trabalho simples de captação de água de chuva, tanto para beber como para produzir, ajudaram a superar ao menos a fome e a sede. Problemas graves ainda existem, não mais essas desumanidades.

Portanto, se hoje a fome e a sede se deslocaram dos nossos sertões para o Itaim Bibi e outros bairros nobres de São Paulo – panelaço é uma forma de protesto de famintos e sedentos – e outras capitais, então, merecem todo respeito.  E merecem nossa solidariedade. Afinal, fome e sede tem que ser página superada da história e não voltarmos atrás, agora se replicando onde menos imaginávamos.

Portanto, estamos com todos aqueles que protestaram. Fome e sede nunca mais.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Delatores não são heróis.

Roberto Malvezzi “Gogó”*

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Delatores não são heróis e nem profetas. Delator é parte do grupo e do esquema que ele mesmo denuncia.

Assim também são os 15 delatores do caso PETROBRAS. Eles eram corruptos ou corruptores do esquema. Alguns, inclusive, vem desde o governo FHC, passando pelo governo Lula e entrando no governo Dilma. Então, para salvar o próprio pescoço, entregam seus antigos comparsas para as malhas da polícia ou da justiça.

Agora se diz que vão pagar cinco milhões, vão cumprir prisão em suas casas. Quem pode pagar essa quantia não vive de salário. Portanto, palavra de delator só tem alguma confiabilidade se materialmente comprovada.

Parece que o mundo da especulação financeira e da corrupção é um útero de delatores. Quem já viu o filme “O Lobo de Wall Street” sabe que, quando o esquema de lavagem de dinheiro foi descoberto, “velhos amigos” não tiveram nenhuma piedade de entregar seus comparsas para salvar a própria pele.

Portanto, delator não é um herói. O herói é capaz de denunciar também seu próprio grupo, mas para o bem maior do povo o qual defende, não para salvar a própria pele.

Também não é um profeta, que denuncia também seu próprio grupo – ou autoridades, ou o próprio povo, como no caso dos profetas bíblicos -, mas para salvar a causa maior da justiça. Os profetas pagavam na própria pele o preço de suas denúncias, tantas vezes presos, tantas vezes assassinados por aqueles que eles denunciavam.

Todo ser humano pode mudar para melhor, também os delatores. Mas, não parece ser  o caso na Lava Jato.

O povo brasileiro há muito está cansado da corrupção. É preciso relembrar sempre que a KPMG calcula uma sangria de 160 bilhões de reais por ano no Brasil em função da corrupção. Mas aí entra a sonegação, superfaturamento de obras, o “dízimo” dos contratos, daí prá fora. Portanto, o caso PETROBRAS é parte ínfima do grande ralo.

Alguns especialistas nos dizem que, sem mudar a Lei de Licitações e a de Falências, jamais vamos diminuir as brechas legais da corrupção.

Países da Europa, como Alemanha e França, arraigadamente capitalistas, controlam o uso do dinheiro público de forma rigorosa através das instituições, não de delatores.

Convenhamos, “delação premiada” é uma honra ao mérito do crime organizado. Triste do país que tem instituições frágeis e precisa de delatores para expurgar as imundícies de suas entranhas.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Dilma, os órfãos e as viúvas.

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Se há uma tradição bíblica onde o Deus judaico-cristão se manifesta claramente, é exatamente no cuidado com os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Para esse Deus, essas são cláusulas pétreas e inegociáveis.

Esse cuidado não era por acaso, mas porque esses eram os grupos de pessoas mais desamparados da sociedade daquele tempo.

O Deus bíblico vai sempre lembrar ao povo judeu esses cuidados, até porque tinha sido escravo no Egito.

Portanto, é chocante ver que o governo Dilma escolheu exatamente os mais indefesos da sociedade – órfãos e viúvas e desempregados – para fazer os ajustes que a economia de mercado, ainda um tanto neoliberal, exige.

Ela tinha milhões de modos para arrecadar mais, ou gastar menos, para angariar reservas com a finalidade de pagar a sede insaciável dos juros da dívida pública. Poderia retomar os impostos dos carros, fazer as grandes fortunas pagarem algo pelo seu luxo, aumentar o imposto do cigarro, dos refrigerantes, ou de qualquer outra porcaria que não afetasse a vida dos brasileiros. Mas, ela preferiu reduzir em 50% a pensão das viúvas, o que impacta diretamente o cuidado com seus filhos.

Certamente cada leitor conhece alguma família em que a mãe morreu cedo, ou o pai, ficando aquele que continua vivo responsável pelos seus filhos. Certamente sabe a situação dramática que é enfrentar a viuvez e o cuidado com os filhos. Então, exatamente quando mais precisa, é exatamente onde o governo escolheu cortar para arrecadar e saciar os deuses do mercado.

Dilma dissera que não mexeria nos direitos dos trabalhadores, nem que a vaca tossisse. Nem precisou.

Nesse país os contratos são vacas sagradas e intocáveis, mas só se forem do capital com o governo. Os contratos do governo com a população são facilmente quebrados, sempre em nome dos ajustes econômicos. Basta lembrar o fator previdenciário, o reajuste das aposentadorias, agora o seguro desemprego, agora a pensão das viúvas e viúvos.

O governo Dilma conseguiu preservar empregos mesmo com a economia aí posta patinando. Na Grécia, Espanha e outros países da Europa a crise econômica jogou nas ruas milhares de pais de famílias. Na Espanha cerca de 50% da juventude continua desempregada, mesmo sendo altamente qualificada. Mas, essa qualidade do governo não lhe dá autoridade para sacrificar aqueles que não tem como se defender.

Segue sobre essa realidade o silêncio dos sindicatos e da sociedade em geral, inclusive das igrejas.

A crise é hídrica, não energética.

Roberto Malvezzi (Gogó)*
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Desde o apagão de 2002 no governo Fernando Henrique, ficou provado que o sistema brasileiro de geração de energia a partir da água não se sustenta mais. Modificamos o regime das chuvas, os volumes de água reservados estão sujeitos a estiagens mais prolongadas e mais constantes todos os anos. Tanto é que o nível de 85% dos reservatórios brasileiros em janeiro de 2015 é considerado mais baixo que o do apagão de 2002. Não é por acaso que temos problemas de abastecimento de água até para consumo humano e industrial, quanto mais para gerar energia.

Remansenses passeiam pela área onde ficava a velha Remanso, Lago de Sobradinho.

Remansenses passeiam pela área onde ficava a velha Remanso, Lago de Sobradinho.

O Brasil insiste em construir hidrelétricas para resolver seus problemas de energia. Hoje o cidadão comum tem claro que quem impõe a agenda de obras no Brasil são as empreiteiras. Elas financiam as eleições e depois recebem o cêntuplo com os investimentos em grandes obras. As hidrelétricas estão entre as maiores obras desse país.

Nosso desafio não é construir mais barragens, mas ter água para locupleta-las. Na data que escrevo esse texto o nível dos reservatórios está em média nacional girando em 20%. Portanto, há uma ociosidade de 80%. Com 50% dessa capacidade locupletada o governo e empresas do ramo estariam rindo à toa. Portanto, não é mais uma Belo Monte, uma Teles Pires, ou outra barragem qualquer que vai resolver esse desafio. Nosso problema fundamental está nas águas, não na capacidade instalada dos reservatórios.

Quem quiser a prova é só visitar a barragem de Xingó, no Baixo São Francisco. Na parede da barragem está a infraestrutura para se instalar 11 turbinas, mas só seis estão instaladas. Quando se pergunta aos técnicos porque não instalar as demais, ao contrário de construir novas barragens, a resposta é simples: não temos água para acionar onze turbinas.

Certas reportagens insistem que se outras obras estivessem feitas – Belo Monte, Teles Pires, etc. –, nós não estaríamos passando pelo problema da crise energética, originada pela crise hídrica. Portanto, para esse setor midiático, é no atraso das obras, na dificuldade dos licenciamentos ambientais, na inoperância das empreiteiras que reside o problema.

O fato é que, se hoje temos 22% de nossa matriz energética baseada nas termoelétricas, é simplesmente porque nossas hidrelétricas já não são mais capazes de garantir a energia que esse modelo de desenvolvimento demanda. Portanto, vamos construir todas as hidrelétricas da Amazônia, vamos devastar nossos últimos rios, vamos remover nossas populações, mas vamos ter que construir novas termoelétricas para garantir energia, cada vez mais cara – cortamos o consumo e a conta do mês só aumenta -, cada vez mais escassa.

A seta indica onde fica o nível da água quando o Lago de Sobradinho está no seu nível normal.

A seta indica onde fica a água quando o Lago de Sobradinho está no seu nível normal.

A crise hídrica tem consequências para o abastecimento humano, a dessedentação dos animais (vide Nordeste e região do Rio de Janeiro), indústria, agricultura, a geração de energia e todos os múltiplos usos da água. Será que nem por amor à galinha dos ovos de ouro somos capazes de rever os rumos predadores de nossa civilização?

Enquanto isso o sol do Nordeste brilha doze horas por dia e os ventos sopram forte na costa e no sertão nordestino.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

A sustentabilidade dos mananciais (A ética do uso da água)

Reberto Malvezzi (Gogó)*

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Quando a lei brasileira de recursos hídricos 9.433/97 incorporou em seu texto o uso prioritário da água para consumo humano e a dessedentação dos animais (Art. 10, Inc. III), ela estava assimilando uma escala de valores. Quando falamos em valores – e numa hierarquia de valores -, então estamos falando de ética.
Esses princípios já existiam a partir de uma reflexão global (Princípios de Dublin), quando setores da humanidade deram-se conta que estávamos mergulhando numa crise da água. Ela faz parte de uma crise civilizacional maior, que sobre usa os bens naturais acima do que a natureza pode oferecer, ou num ritmo mais veloz do que ela é capaz de repor. É o que se chama de insustentabilidade.

Mas, há um vácuo na ética da água no Brasil. Não existe na lei brasileira de recursos hídricos nenhum parágrafo que normatize o cuidado com os mananciais, a não ser um princípio geral da referida lei que afirma ser necessária a gestão dos recursos hídricos integrada à gestão ambiental (Art. 30, Inc. III).

Em 2004, quando a Campanha da Fraternidade da CNBB questionou esse vazio, a resposta das autoridades é que essa dimensão estava implícita em outras leis ambientais, sobretudo no Código Florestal. Porém, o Código foi modificado.
Sem a vegetação, a penetração da água que forma os lençóis freáticos se reduz de 60% para 20%. Sabemos que é o rio aéreo da Amazônia que abastece todo sul e sudeste brasileiros, dependendo da evapotranspiração da floresta.

Entretanto, quem pretende ter água nessa região, tem que respeitar também os parâmetros ecológicos locais para que ela esteja ao alcance. Logo, a compra de áreas de preservação na Amazônia em troca do desmatamento em nível local não soluciona o problema da recarga dos aquíferos. É preciso preservar a Amazônia e a vegetação local.

Os dois principais programas do governo federal para a água são no sentido de expandir o consumo. O Água para Todos visa realizar o valor primordial no uso da água que é o abastecimento humano. O Oferta de Água visa expandir seu uso econômico. Temos ainda investimentos pelo PAC em abastecimento humano, com o objetivo de ampliar os serviços de saneamento básico. Entretanto, não temos nenhum programa relevante em termos de proteção dos mananciais.

Sem uma visão sistêmica do ciclo das águas e sem uma ética do uso da água que implique o cuidado dos mananciais, comprometeremos sempre mais o abastecimento humano, a dessedentação dos animais e os demais usos.
O óbvio ulula diante de nossos olhos.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Quando as ideologias (religiões) perdem o senso do humano.

Roberto Malvezzi (Gogó)*

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Gramsci, um dos maiores estudiosos das ideologias, nos dizia que o “senso comum, as religiões e as filosofias são tipos de ideologias”. Dizia ainda que o senso comum é a mais precária delas, as religiões são um pouco mais elaboradas e a filosofia era a ideologia melhor acabada.

A identificação da religião como uma ideologia nunca foi aceita, por exemplo, pelo magistério católico. Todos os documentos originados no Vaticano vão fazer distinção entre religião e ideologia.

Mas, Gramsci deu à ideologia um sentido positivo, como um conjunto de ideias organizadas que orientam a vida particular e de grupos na vida e na disputa pelo poder. Nesse sentido, para ele as religiões também são ideologias. Afinal, quem se orienta pela opção pelos pobres, pela justiça, pela paz, etc., tem um conjunto de ideias articuladas (princípios) que as orientam na vida e luta social.

O assassinato de doze pessoas na França em nome da religião re-suscita essa questão. Afinal, os matadores se pronunciaram em nome de Alá. Porém, logo foram contestados pelo próprio mundo islâmico, que distingue entre os ensinamentos de seu profeta Maomé e a leitura que grupos sectários fazem desse mesmo princípio. Sem dúvida, a chacina torna muito mais difícil a vida dos islâmicos em território europeu.

O fato também serviu para que muitos utilizassem o fato para dizer as vantagens da razão iluminada diante dos obscurantismos das religiões. De fato, em nome da fé a Igreja Católica organizou Cruzadas – inclusive de crianças – criou a Inquisição e promoveu outros horrores ao longo da história, como a própria conquista das Américas em nome da espada e da cruz. As Cruzadas eram guerras exatamente contra os islâmicos.

Mas, se observarmos bem os fatos, veremos que o problema está nas ideologias, todas elas, inclusive as laicas, quando perdem o senso do humano. As conquistas da razão iluminada são indiscutíveis para o progresso da técnica e da ciência, mas os efeitos dramáticos da racionalidade pura se abatem hoje sobre a humanidade e o planeta.

A Primeira Guerra Mundial, a Segunda, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos e Afeganistão, a colonização europeia em outros continentes, nenhuma dessas atrocidades foi feita em nome das religiões, mas de interesses e prepotência de nações e seus capitais diante dos mais fracos. A racionalidade moderna gerou milhões de mortes e ainda lançou a bomba atômica sobre o Japão. Pior, está gerando a mudança no clima do planeta, sem que os próprios cientistas saibam exatamente o que pode acontecer a todas as formas de vida, principalmente a humana.

Nem as esquerdas escaparam. Em nome do socialismo Stalin promoveu o expurgo de todos seus adversários. As esquerdas revolucionárias das américas e África nunca conseguiram entender os indígenas – portanto, respeitar -, lideranças tradicionais e costumes diferentes da racionalidade ocidental. Aliás, é sempre bom lembrar que capitalismo e socialismos são apenas as duas faces da mesma racionalidade iluminada do ocidente. A Bolívia ensaia um modelo que inclua o melhor do mundo contemporâneo com o melhor das tradições indígenas, inclusive o que os nativos assimilaram de melhor do cristianismo.

Portanto, as ideologias são inevitáveis, mas cuidado com todas elas, religiosas ou não. Quando em nome de “seu deus” perdem o respeito pela pessoa humana e pela natureza, elas cometem atrocidades.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

Lançamento de livro: CADA VIDA UMA HISTÓRIA – Rafaela Brito

Lançamento do livro de Rafaela Brito

No último sábado, 27/12, a jovem poetiza Rafaela Brito lançou o seu livro de poesias “Cada Vida Uma História”, no auditório da UNIFAN, em Remanso, Bahia.

Rafaela nasceu no dia 4 de dezembro de 1991 em Remanso. Filha de Evandro Ferreira Amorim e Rosineide Brito Ferreira, ela iniciou seus estudos aos 4 anos de idade na Escola Municipal MS Rosa Amorim, na localidade de Boa Esperança, interior do município de Remanso. Concluiu o seu segundo grau no Colégio Municipal Antônio Borges Vargas, na localidade de Jatobá, também no interior de Remanso.

Sou testemunha da grande luta de Rafaela para conseguir lançar a sua obra. Foram vários anos de garimpagem junto aos órgãos ligados ao poder público, principalmente junto à Assembleia Legislativa da Bahia, entretanto sempre tinha um porém e não acontecia. Resignada, Rafaela absorvia todas as negativas como se fosse um tônico revigorador. Nada a fez desistir.

Como Rafaela coloca nos agradecimentos do seu livro: “…ao professor Alcides Ribeiro Filho, reitor da Unifan, sem o qual não seria possível a realização deste sonho que agora se concretiza com a publicação deste livro”. Aqui eu, em nome dos remansenses, agradeço ao professor Alcides e à Unifan por mais este apoio aos que a gente tem de chamar de baluartes da nossa cultura. Foi assim também no caso do Museu do Sertão Antônio Coelho Maia.

Toda vez que vou a um ato desses fico muito triste pelo descaso que muitos têm para com os nossos escritores. A ausência de autoridades ligadas à área cultural no nosso município no lançamento do livro de Rafaela reflete um pouco a importância dada a este tipo de evento. Gostaria que as nossas “autoridades”, ao invés de tomarem as criticas feitas como atos de oposição, refletissem um pouco e invertessem as prioridades dadas ou pelo menos dessem o mesmo grau de importância que dão a eventos nem tão “culturais” assim.

Parabéns à Rafaela e a Remanso por mais uma obra para ETERNIZAR a nossa cultura.
Vejam algumas fotos do evento:

Rafaela, seus pais Evandro e Rosineide e o professor Alcides Ribeiro Filho.

Rafaela, seus pais Evandro e Rosineide e o professor Alcides Ribeiro Filho.

Maria Luiza Régis, vencedora do prêmio GEO de melhor em redação do 6º Ano, marcando presença.

Maria Luiza Régis, vencedora do prêmio GEO de melhor em redação do 6º Ano, marcando presença.

Público pequeno, mas que soube valorizar a obra de Rafaela.

Público pequeno, mas que soube valorizar a obra de Rafaela.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Autografando o meu exemplar. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Autografando o meu exemplar. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila, Maria Luiza e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila, Maria Luiza e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rosineide Brito Ferreira, mãe de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rosineide Brito Ferreira, mãe de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Evandro Ferreira Amorim, pai de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Evandro Ferreira Amorim, pai de Rafaela. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela, Professor Alcides e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela, Professor Alcides e Hugo Régis. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Rafaela e Professor Alcides. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila e Maria Luiza. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Sheila e Maria Luiza. Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Lançamento do livro Cada Vida uma História, de Rafaela Brito.

Está chegando o Remanso Indoor 2015!

O Ano Novo de Remanso vai começar quente. Já na virada de ano (Reveillon) teremos a tradicional queima de fogos e a noite animada por Adelmário Coelho, Banda Exótica e outras atrações, na Prainha de Amaralina. Mas a coisa vai esquentar mesmo é no primeiro domingo do ano, 04/01, com o Remanso Indoor, festa que virou tradição na cidade e atrai foliões de todo lugar do Brasil.

A grande atração do Remanso Indoor de 2015 é Wesley Safadão & Garota Safada. “Nesta sétima edição, a gente resolveu crescer de vez a festa. A gente vinha com bandas legais, a gente trouxe As Coleguinhas, trouxe Banda Eva, Forró da Curtição, Gabriel Diniz e dessa vez o pessoal pediu, desde o ano passado o pessoal pedia muito. A nossa atração desse ano tá muito estourada, tocando em todo lugar, nas rádios, carros de som… por onde a gente passa toca Wesley Safadão. Por isso a gente resolveu trazer, a gente mexeu os pauzinhos, fez alguns ajustes no evento e deu pra trazer.”, disse Marçal Passos, um dos organizadores do Remanso Indoor. Segundo Marçal, as vendas deste ano, em relação às dos anos anteriores, já bateram todos os recordes.

Os ingressos estão sendo vendidos em vários pontos nos municípios vizinhos. Em Petrolina tem um ponto de venda no River Shopping. Em Remanso o ponto de venda fica na rua Rui Ribeiro (rua da Paladar) e vai funcionar até o horário da festa, que está prevista para começar às 16 horas, na Estação do Som, que fica na Avenida Piauí, saída para São Raimundo Nonato, onde também serão vendidos ingressos no horário da festa.

Este ano, além da área de pista, vai ter uma área com mesas, onde o folião poderá curtir a festa de forma mais reservada. Os bilhetes custam R$ 85,00 e as mesas, para quatro pessoas, custa R$ 450,00.

É sem dúvida a grande festa indoor realizada hoje em dia em Remanso. Para você ir curtindo o clima do Remanso Indoor, vejam algumas fotos da prévia que foi realizada no Lago Azul Yate Clube, no dia 21/12, ao som de O Sensa É Massa:

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

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Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Edcharles e Dedezinho, na Prévia do Remanso Indoor.

Edcharles e Dedezinho, na Prévia do Remanso Indoor.

Edcharles, na Prévia do Remanso Indoor.

Edcharles, na Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Prévia do Remanso Indoor.

Dilma, é fácil superar o Bolsa Família.

Roberto Malvezzi (Gogó)*

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Dilma, se você quiser, é fácil superar o Bolsa Família. Basta observar o que foi feito aqui em Juazeiro da Bahia num programa que você mesma inventou: o Minha Casa, Minha Vida.

Com apoio da Caixa Econômica (a funcionária da Caixa que apoiou esse projeto trabalha na área social do Banco em Brasília), projeto elaborado por uma empresa privada, cada uma das mil casas do projeto ganhou no teto quatro painéis solares. Mas, ao contrário de guardar a energia em baterias, elas vieram com um conversor e plugadas na rede nacional de energia. Durante o dia as casas despejam energia na rede nacional. Pela noite invertem o interruptor e captam energia para suas casas. Resultado, o excedente é muito maior que a consumida, o que acabou gerando renda para as famílias.

Então, a associação criada passou a vender energia nos leilões comuns de energia desse país. Resultado, mesmo depois de descontada a energia captada para os períodos noturnos, cada morador tem recebido em média 80 reais por mês. Não tem subsídio, regras de mercado, portanto, rentável.

Ainda mais, as famílias não recebem toda a renda da energia, mas só 60%. Cerca de 30% vão para investimentos no condomínio e 10% para outras necessidades decididas pela comunidade.

Imagine você, Dilma, se todas as casas do Minha Casa, Minha Vida tivessem ao menos dez (10) placas de energia solar?

Que festa não seria? O pessoal deixaria de depender do Bolsa Família – prato preferido dos adversários do teu governo – e seriam simplesmente produtores de energia. Imagine se esses projetos fossem estendidos aos assentamentos de reforma agrária, às comunidades quilombolas, às comunidades tradicionais, ou até mesmo para quem quisesse produzir energia a partir do teto de suas casas?

Portanto, você tem a faca e o queijo na mão. A experiência concreta já está comprovada. E você ainda estaria contribuindo com um ambiente limpo, menos CO2 na atmosfera, inaugurando uma nova era de tecnologias sociais e um novo modelo energético para o país.

Claro que isso seria feito num processo, sem prejudicar os mais pobres que ainda dependem do Bolsa Família.

Olha, se você não fizer isso, seu próximo sucessor jamais deixará de perder essa oportunidade.

Então, Mulher, aproveite.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

A importância e a ruptura do ciclo das águas.

Robero Malvezi (Gogó)

Lago de Sobradinho em Remanso, Bahia.

Quando éramos crianças e estávamos no ensino médio, nos ensinavam o ciclo das águas. Parece uma descrição abestalhada, como se diz aqui pelo Nordeste, mas é fundamental nos dias de hoje.

A professora nos ensinava que o sol aquece os oceanos e outros corpos d’água, o calor a muda para vapor de água (estado gasoso), que sobe para a atmosfera, que é empurrado pelos ventos para os continentes, que depois vai cair em forma sólida (granizo, neve, etc.) ou líquida, as chuvas.

Uma parte se perde por evaporação. Outra escorre alimentando os corpos de água de superfície, para os rios, daí para o mar. Outra parte penetra na terra, formando os reservatórios subterrâneos.

Um estudo pouco mais elaborado vai nos dizer que, se as chuvas caem em terreno coberto por vegetação (florestas), as árvores ajudam a amortecer o impacto da precipitação nos solos. Ela ainda retém o fluxo das águas, desacelerando-o.

Quando é assim, o solo sendo poroso, cerca de 60% dessas águas podem penetrar e ficarem armazenadas no subsolo. São essas águas que depois vão alimentar a chamada vazão de base, que garante a perenidade de alguns corpos d’água de superfície.

Se o solo é compacto então cerca de 80% escorre rapidamente para as partes mais baixas, causando inundações repentinas. Essa água que se perde depois vai fazer falta para alimentar nossos rios.

Mesmo tendo cobertura vegetal, se o subsolo não for favorável, como o cristalino aqui do Semiárido, então a água pouco penetra. É por isso que não temos rios perenes nascidos aqui na região, a não ser o Parnaíba, exatamente porque ali está uma parte de solo poroso, que forma o aquífero do Gurguéia.

Temos pequenas nascentes em partes altas, nos chamados “Brejos de Altitude”. Por isso temos que armazenar água em açudes artificiais, de superfície, além das cisternas caseiras, barreiros, barragens subterrâneas e tantas outras tecnologias sociais criadas pelo povo e aperfeiçoadas na luta pela convivência com o Semiárido.

O ciclo das águas desperta ainda o “cio da Terra”. Em regiões como aqui no Semiárido, a caatinga que parecia morta reverdece, ressurgem nuvens de insetos, as flores se espalham de forma belíssima, os animais parecem sair do nada, como se fosse uma verdadeira ressurreição.

Meus amigos criadores de bode dizem que até as cabras entram no cio.

Portanto, sem o ciclo das águas a vida não reacontece, os reservatórios não se reabastecem e o que era cheio de vida pode se transformar num deserto.

O problema maior do Brasil nesse momento de diminuição das chuvas reside exatamente aí: para muitos especialistas estamos causando a “ruptura no ciclo de nossas águas”. Por um detalhe que merece atenção, isto é, parte do nosso ciclo de águas se origina na floresta amazônica, não só nos oceanos. Então, uma vez derrubada a floresta, diminui automaticamente a produção de vapor de água.

Outro elemento fundamental é que o Cerrado, ocupando a parte central do país, fazia o papel de armazenador de nossas águas, depois distribuindo-as para várias bacias brasileiras. Com a derrubada da vegetação, mais compactado, ele está perdendo capacidade de armazenar águas e depois alimentar os rios perenes, como é o caso do São Francisco.

Causa espanto que tantos peritos em água só falem em expandir seu consumo, ou ir busca-la mais longe para abastecer grandes centros, como São Paulo. O raciocínio é feito pela metade, sem capacidade de olhar sistemicamente nossos ciclos das águas e está nos conduzindo ao caos. Está apenas adiando a solução e causando problemas futuros em mananciais que também irão se esgotar se não forem preservados.

O Prof. Carlos Nobre (INPE) afirma que precisaríamos de um esforço de guerra para recuperarmos a eficiência de nosso ciclo das águas, replantando em áreas de encostas, margens de rios, quem sabe em trechos inteiros de bacias hidrográficas. Precisaríamos ainda, não só deter o desmatamento amazônico, mas começar a recuperação da floresta enquanto há tempo. Já para o Prof. Altair Salles (PUC Goiânia), o Cerrado não tem mais recuperação. Para o Prof. José Alves (UNIVASF) o São Francisco está inexoravelmente condenado à morte.

Mas, nada parece comover aqueles que impõem a destruição para satisfazer seus interesses imediatos. Retomando a metáfora do Titanic, a classe A dança e ouve orquestra enquanto o navio afunda.

*Roberto Malvezzi (“Gogó”), nasceu em 1953, no município de Potirendaba, São Paulo. É graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo e graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Foi Coordenador Nacional Comissão Pastoral da Terra – CPT. Ao longo dos anos, lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho. Atualmente, reside em Juazeiro-BA e atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.