Água põe fogo no campo

00_Coluna_do_Gogo

Roberto Malvezzi (Gogó)

Aproximadamente mil pessoas entraram nas fazendas Igarashi e Curitiba em Correntina, Bahia, quebraram os pivôs centrais de irrigação das empresas e derrubaram as instalações elétricas.

Bastou para que a mídia falasse em vândalos, invasores, e a senadora Ana Amélia (Golpista) chegou a falar em exército de Lula no Senado, referindo-se ao MST. Quanta estupidez na boca de uma só senadora!

O MST não estava lá e nem precisava, porque a reação foi das comunidades ribeirinhas, mães e pais de família. É bom a senadora saber que a Bahia é governada por um petista e o INEMA, organismo que concede as outorgas de água no Oeste Baiano, tem grande responsabilidade nessa monstruosa outorga do Arrojado para as empresas beneficiadas.

Há décadas participo da reflexão sobre a água no mundo. Na Campanha da Fraternidade de 2004 já levantávamos a questão do novo discurso da água, de sua privatização, mercantilização, da oligarquia internacional da água, mas também da necessidade de defender a água como direito fundamental da pessoa humana e de todos os seres vivos, além de defendermos que a água, muito além do que querem os hidrólogos, tem múltiplos valores além dos múltiplos usos. Chamamos todos os negócios da água de hidronegócio.

Um dos principais prognósticos levantadas mundialmente é a questão da “guerra pela água”, já que a redução de um bem imprescindível à vida a uma mercadoria qualquer só pode transformar-se em guerra, como aconteceu em Cochabamba, na Bolívia.

Esses dias lancei o artigo “Hidrocídio Brasileiro” (http://robertomalvezzi.com.br/2017/10/09/845/), falando da matança de nossos mananciais, principalmente nossos rios, citando a decadência visível do Tocantins, Araguaia, Javaés, Araguari no Amapá, além do São Francisco e seus afluentes. É bom lembrar que o assassinato de uma grande bacia sempre começa por seus afluentes. Assim é a morte do São Francisco, que depende de rios como o Arrojado, esse saqueado pelas empresas, a tal ponto que as comunidades ribeirinhas ficaram sem água. A ocupação foi uma reação ao processo predador das empresas.

Quem está destruindo as florestas brasileiras – sobretudo a Amazônia que produz os rios voadores e o Cerrado que armazena as águas desses rios aéreos – é o agronegócio da senadora Ana Amélia (Golpista), apoiado por mais uns 50 senadores e mais de 200 deputados. Todos reforçados pelos meios de comunicação, sobretudo a Globo. É o agronegócio que está promovendo esse hidrocídio e a guerra pela água no campo.

Vale repetir que a água é bem vital e seu maior valor é o biológico, isto é, só há vida onde tem água. Deputados e senadores podem fazer muitas leis, mas não conseguem mudar as leis básicas da vida.

Ou mudamos nossa política hidrocida, ou a água vai pôr fogo no campo brasileiro.

Quem tiver interesse em assinar a nota em apoio às populações atingidas, contactar

comunicacao@cptba.org.br

7133284672 ou 7133295750

NOTA DAS ENTIDADES DA REGIÃO: Cansado do descaso das autoridades, o povo de Correntina reage em defesa das águas

A mídia está a noticiar que na manhã de quinta-feira, 02/11/2017, feriado de Finados, houve manifestação de populares nas Fazendas Igarashi e Curitiba, no distrito de Rosário, município de Correntina. Segundo imagens e áudios que circulam pela Internet, estas fazendas teriam sido invadidas e parte de suas máquinas, instalações e pivôs quebrados e incendiados, e que os autores destas ações são populares de Correntina. Segundo os relatos participaram da ação entre 500 a 1.000 pessoas.

O Oeste da Bahia tem se destacado como produtor de grãos para exportação, referência para o agronegócio nacional, cada vez mais de interesse internacional. Está inserido no MATOPIBA – projeto governamental de incentivo a esta produção nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – atual fronteira agrícola brasileira, onde estão localizados os últimos remanescentes de Cerrado no Brasil. É nesta região onde se encontram os rios Carinhanha, Corrente e Grande, suas nascentes, subafluentes e afluentes, principais contribuintes com as águas do rio São Francisco na Bahia, responsáveis por até 90% de suas águas no período seco. São estas águas que abastecem milhares de comunidades rurais e centenas de municípios baianos e dos outros estados do Submédio e Baixo São Francisco.

Os conflitos causados pela invasão da agropecuária, desde os anos 1970, no que eram os territórios tradicionais das comunidades que habitam o Cerrado, têm sido pauta de uma intensa discussão, e de dezenas de audiências públicas. A gravidade destes conflitos é de conhecimento regional, estadual, nacional e até internacional. Contudo, ao longo de décadas o agronegócio nunca assumiu a responsabilidade por sua nefasta atuação, alicerçada num tripé que tem como eixos centrais: a invasão de terras públicas por meio da grilagem e da pistolagem; o uso de dinheiro público para implantação de megaestruturas e de monoculturas de grãos e pecuária bovina; o uso irresponsável dos bens naturais, bens comuns, com impactos irreversíveis sobre o ambiente, em especial, sobre a água e a biodiversidade, além de imensuráveis impactos sociais.

A ação do povo de Correntina não é de agora. Assistindo à sequência de morte de suas águas essenciais, diante do silêncio das autoridades, ações do tipo e outras vêm sendo feitas há mais tempo. Em 2000, populares entupiram um canal que pretendia desviar as águas do mesmo rio Arrojado agora ameaçado pelas fazendas no distrito de Rosário. O canto fúnebre das “Alimentadeiras de Alma”, antiga tradição religiosa de rezar pelos mortos, passou a ser realizado para chamar a atenção para a morte das nascentes e rios às centenas na região. Romarias com milhares de pessoas vêm sendo feitas nos últimos anos em cidades da região em protesto contra a destruição dos Cerrados.

As ações do agronegócio possuem a chancela do Estado baiano e brasileiro, que age como incentivador e promotor, é insuficiente ou omisso nas fiscalizações e tem sido conivente com a sua expansão por meio da concessão de outorgas hídricas e licenças ambientais para o desmatamento, algumas sem critérios bem definidos. Estes critérios que vêm passando por intensas flexibilizações com as mudanças radicais na legislação ambiental. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA concedeu à Fazenda Igarashi, por meio da Portaria nº 9.159, de 27 de janeiro de 2015, o direito de retirar do rio Arrojado uma vazão de 182.203 m³/dia, durante 14 horas/dia, para a irrigação de 2.539,21 ha.

Este volume de água retirada equivale a mais de 106 milhões de litros diários, suficientes para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternas domésticas de 16.000 litros na região do Semiárido. Agrava-se a situação ao se considerar a crise hídrica do rio São Francisco, quando neste momento a barragem de Sobradinho, considerada o “coração artificial” do Rio, encontra-se com o volume útil de 2,84 %. A água consumida pela população de Correntina aproximadamente 3 milhões de litros por dia, equivale a apenas 2,8% da vazão retirada pela referida fazenda do rio Arrojado.

Alegar que as áreas irrigadas no Oeste da Bahia representam apenas 8% da região, ou seja, 160 mil hectares num universo de 2,2 milhões de hectares, não minimiza seus impactos. Megaempreendimentos e suas obras de infraestrutura em plena construção com vistas à expansão das áreas irrigadas determinam uma rota de cada vez maior devastação. Alguns exemplos: Fazenda Santa Colomba, em Côcos, Fazendas Dileta; Celeiro e Piratini, em Jaborandi; Fazendas Sudotex, Santa Maria e Igarashi, em Correntina. Algumas destas fazendas estão construindo centenas de quilômetros de canais, dezenas de reservatórios (piscinões), perfuração de centenas de poços tubulares e instalação de centenas de pivôs. Quanta água está sendo comprometida com tudo isto? Se a irrigação não fosse uma tendência regional, como explicar tantos investimentos neste modelo de agricultura? Comitês e Planos de Bacia e outras medidas no campo institucional, antes promovem esta rota insana, do que preservam os bens comuns da vida, hoje e de amanhã.

A ganância do agronegócio e as conveniências dos que representam o Estado são os responsáveis pelo desespero do povo. Não há ciência no mundo que possa estimar um valor monetário para o rio Arrojado, e isso o povo de Correntina parece compreender bem. Os próceres do agronegócio agem com hipocrisia e continuam se negando a assumir o passivo socioambiental existente no Oeste Baiano. Não resistem a uma mínima comparação com o modo de produzir dos pequenos e médios agricultores, que fornecem os alimentos diversos que a população consome com impactos infinitamente menores e muito mais cuidados de preservação. Não há como evitar a pergunta: os equívocos dos processos para outorgas hídricas e licenciamentos ambientais e a falta de fiscalização eficiente dos órgãos responsáveis são garantias para a legalidade e legitimidade do agronegócio?

Diálogo com os representantes do agronegócio tem sido um simulacro de democracia e honestidade.  Na audiência pública havida em Jaborandi, no dia 27/10/2017, para discutir a questão das águas, outorgas e legislação ambiental, com interessados dos municípios de Jaborandi, Coribe e Correntina, populares foram impedidos de questionar a tese, na ocasião defendida por conhecido cientista aliado do agronegócio, de que não há relação entre a ação humana e as mudanças climáticas.

Flagrantes contradições do modelo de desenvolvimento regional são inúmeras e precisam ser evidenciadas. Por exemplo, a de que é muito maior a área preservada de Cerrado em relação à explorada. Omite-se que as áreas de Reserva Legal das fazendas do Oeste da Bahia estão sendo regularizadas por meio da “grilagem verde” sobre os territórios das comunidades tradicionais, e que a função ecológica cumprida pelas Áreas de Preservação Permanente – APPs, aos longo dos cursos d’água, nas áreas de descarga, são diferentes das funções ecológicas que cumprem os chapadões responsáveis pelo abastecimento do aquífero Urucuia, áreas de recarga, que já foram dizimadas pelo agronegócio.

A luta em defesa da vida mais uma vez é marcada pelo protagonismo popular de quem faz com as mãos a história e sabe que a água não é mercadoria, como quer convencionar o agronegócio, inclusive utilizando-se da Lei 9.433/1997, a “Lei das Águas”. As águas do rio Arrojado abastecem comunidades centenárias e não podem servir apenas aos interesses dos irrigantes como o grupo Igarashi, que chega à região com a má fama de ter que migrar da Chapada Diamantina, uma das regiões da Bahia que sofrem com a crise hídrica, em especial, na bacia do rio Paraguaçu, justamente por conta dos impactos de sua exploração. Os conflitos ambientais parecem não findar com o caso das fazendas deste grupo, pois esta é apenas uma fazenda num universo de inúmeras do Oeste da Bahia. Tudo indica, portanto, que o cansaço do povo frente ao arrojo do agronegócio e ao descaso das autoridades e a urgência da defesa da vida seja o argumento que impõe esta reação.

Deste modo e diante da notória crise hídrica, somada à irresponsabilidade arrogante do agronegócio e à incompetência do Estado, tal cenário coloca o povo em descrença e desespero, ao ver o rio Arrojado, base para sua convivência e modo de vida, com tamanhos sinais de morte, assim como inúmeros riachos, nascentes, veredas e rios da região. E, então, partem para alguma reação concreta, que chame a atenção dos responsáveis públicos e privados. Não há palavras para descrever o sentimento coletivo que tomou conta do povo de Correntina, que num ímpeto de defesa agiu para defender-se, pois sabe que se não mudar o modelo de “desenvolvimento”, baseado no agronegócio, estarão comprometidas as garantias de vida das populações atuais e futuras.

Novembro de 2017.

Agência 10envolvimento

Articulação Estadual dos Fundos e Fechos de Pasto da Bahia

Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais da Bahia – AATR/BA

Coletivo de Antônia Flor – Assessoria Técnica e Popular em Direitos Humanos

Comissão Pastoral da Terra – CPT/BA

Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP/MG

Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco – FUNDIFRAN

GeograFAR/UFBA

Levante Popular da Juventude

Licenciatura em Educação do Campo: Ciências Agrárias/UFRB

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST

Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Movimento Estadual dos Acampados, Assentados e Quilombolas da Bahia – CETA

Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP – Diocese de Bom Jesus da Lapa

Pastoral do Meio Ambiente – PMA – Diocese de Bom Jesus da Lapa.

Programa de Pós- Graduação em Educação do Campo/UFRB, Mestrado Profissional em Educação do Campo

Rede Nacional de Advogados e Advogadas Popula

Anúncios

Nona Noite do Novenário

Nona Noite de Novena de Nossa Senhora do Rosário

A última noite do novenário de Nossa Senhora do Rosário foi presidida pelo bispo da Diocese de Juazeiro, Dom Carlos Alberto Breis (Dom Beto), e concelebrada pelos padres José Benedito, Edmundo, Josemar Mota e João Borges. O subtema escolhido para a reflexão foi “Maria, a Mãe do Rosário, nos quer cultivando e guardando a Criação”. Noiteiros: famílias, ECC, Ministros (as) da Eucaristia, Comunidades do Interior, Visitantes, Filhos (as) de Remanso residentes em outras cidades e pescadores e pescadoras.

Nona Noite de Novena de Nossa Senhora do Rosário

Refletindo o Evangelho de domingo (Mt. 22, 34-40), Dom Beto afirmou que amar não é simplesmente gostar. “Amar é sair de si. Amar é colocar-se no lugar do outro”. Deus não apenas gosta de suas criaturas; Ele as ama profundamente e verdadeiramente. “Todo amor é sem medida”.

Quando os fariseus questionaram Jesus sobre qual seria o maior mandamento da Lei, eles não o interrogaram como discípulos que querem aprender com seu mestre; pelo, contrário questionaram Jesus para experimentá-lo, isto é, colocá-lo numa contradição para depois poderem condená-lo. E Jesus respondeu: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento e ao seu próximo como a si mesmo”.

Com essa resposta, afirmou Dom Beto, Jesus quis mostrar que o amor possui duas dimensões: uma vertical (a relação da pessoa com Deus) e uma horizontal (a relação da pessoa com o outro). Essas duas dimensões, continuou o bispo, não podem ser separadas, ou seja, não podemos dizer que amamos a Deus sem sermos capazes de nos colocarmos no lugar do outro para poder sentir a sua dor.

“O cuidar da Criação é uma forma de amar o outro”, afirmou Dom Beto. Não há expressão de amor a Deus que não passe pelo cuidado e guarda da Criação. “A festa da padroeira é essa grande ocasião de a gente olhar para Maria e dizer: queremos como ela entrar numa lógica diferente [que rompa com a lógica do egoísmo, do utilitarismo]. E a relação com as criaturas é um caminho indispensável para a gente viver a intimidade com Deus, o amor a Deus, amando tudo aquilo que Ele fez, cultivando, guardando todas as suas criaturas”.

Texto: Marcos Paulo.

Fotos: Tovinho Régis

Veja mais fotos:

Nona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do RosárioNona Noite de Novena de Nossa Senhora do Rosário

Oitava Noite do Novenário.

IMG_9069

O subtema da penúltima noite do novenário de Nossa Senhora do Rosário foi “No Brasil, quero ver o direito brotar e correr a justiça qual riacho que não seca”. Noiteiros: Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral Carcerária, profissionais da saúde, grupo AA, CAPS, Vicentinos e quadras 07 e 10. A reflexão foi feita por Pe. Josemar Mota.

IMG_9052

Refletindo um trecho do Evangelho de Lucas (4, 14-21), Pe. Josemar afirmou que todo o projeto de Jesus se resume na promoção da dignidade da pessoa humana. Dessa forma, é dever de todo cristão assumir este projeto, pois ao ser batizado, ele recebe o Espírito Santo de Deus para dá continuidade a missão libertadora de Jesus.

Mas em que consiste a missão de Jesus?, questionou Pe. Josemar. Ela consiste em anunciar a Boa Notícia aos pobres, proclamar a libertação aos presos, recuperar a vista dos cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do senhor. É por isso que a Igreja faz uma opção preferencial pelos pobres, pois são eles os preferidos de Deus, aqueles que mais necessitam de justiça e de direitos.

O que deve distinguir a comunidade católica é seu compromisso com a justiça e com o direito, destacou Pe. Josemar. Ele disse também que devemos nos organizar, enquanto sociedade, nas associações, sindicatos, pastorais e movimentos sociais tendo em vista a promoção da justiça e do direito.

IMG_9135

Maria é fonte de inspiração na luta por uma sociedade justa, fraterna e solidária, pois no seu canto Ela garante que Deus realiza proezas com seu braço, dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos, eleva os humildes, aos famintos enche de bens e despede os ricos de mãos vazias.

Texto: Marcos Paulo.

Fotos: Tovinho Régis

Veja mais fotos:

IMG_9167IMG_9164IMG_9163IMG_9162IMG_9160IMG_9155IMG_9149IMG_9147IMG_9144IMG_9143IMG_9142IMG_9140IMG_9139IMG_9135IMG_9130IMG_9126IMG_9125IMG_9124IMG_9122IMG_9118IMG_9115IMG_9114IMG_9112IMG_9107IMG_9106IMG_9105IMG_9102IMG_9101IMG_9100IMG_9099IMG_9098IMG_9097IMG_9095IMG_9092IMG_9089IMG_9086IMG_9070IMG_9069IMG_9064IMG_9062IMG_9057IMG_9052IMG_9050IMG_9046IMG_9044IMG_9041IMG_9037IMG_9035IMG_9034IMG_9033IMG_9032IMG_9031IMG_9030IMG_9029IMG_9026IMG_9025IMG_9024IMG_9021IMG_9019IMG_9014IMG_9013IMG_9010IMG_9007IMG_9006IMG_9001IMG_8997IMG_8995IMG_8994IMG_8993IMG_8992IMG_8991IMG_8988IMG_8981IMG_8980

Sexta noite de Novena de Nossa Senhora do Rosário

Sexta Noite - Novena de Nossa Senhora do Rosário

Aconteceu nesta quinta-feira, 26/10, a sexta noite do novenário de Nossa Senhora do Rosário, padroeira de Remanso.

Tema da noite: Jovens, escutem o grito da Terra e dos pobres que sofrem com os desequilíbrios ecológicos! O celebrante foi o padre Cícero Diego, coordenador do Setor Diocesano da Juventude, da Diocese de Juazeiro, Bahia.

Noiteiros: Funcionários Públicos, Jovens, Grupo de Capoieira, SCFV, kEstudantes, Grupo Demolay, Grupo Filhas de Jó, Grupo Hip-Hop, Professores, Quadra 08 e Vila Celso Campinho.

Sexta Noite - Novena de Nossa Senhora do Rosário

Foi uma noite com grande participação da juventude remansense, com apresentações ligadas ao tema da noite feitas pelas jovens estudantes da Escola Girassol.

Vejam mais algumas fotos, todas de Tovinho Régis:

Sexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do RosárioSexta Noite - Novena de Nossa Senhora do Rosário

Quinta Noite do Novenário

Roberto Malvezzi (Gogó) - Nona noite do Novenário de Nossa Sen

“O que fazer para revitalizar o rio São Francisco que agoniza?” Esse foi o subtema da 5ª noite do novenário de preparação para a festa de Nossa Senhora do Rosário. O pregador da noite foi Roberto Malvezzi (o Gogó) e os noiteiros: dizimistas, Pastoral Catequética e Crianças, Jardim Santo Afonso, Loteamento Jardim Explanada, Rádio Comunitária Zabelê FM, Pascom e Quadras 19 e 20.

Refletindo o Evangelho de Lucas (12, 42 – 48), Roberto Malvezzi lembrou que é muito comum as pessoas se darem conta dos problemas apenas depois que eles acontecem. Porém, o Evangelho vem mostrar que a comunidade cristã deve estar sempre atenta aos desafios que se apresentam, como, por exemplo, o de cultivar e guardar a Criação, bem como o de preservar as águas, em especial, as águas do Velho Chico.

“A figura de Maria, na piedade popular, está muito ligada aos elementos da natureza”, afirmou o pregador da noite. Ela sempre aparece às pessoas mais humildes e simples, como é o caso de Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora das Grotas, Nossa Senhora de Guadalupe e Nossa Senhora de Nazaré. Disse ainda, citando o papa Francisco, que “Deus nos fala através de suas criaturas”.

Ademais, Gogó lembrou o desmatamento, que fere de morte o rio São Francisco e as criaturas que vivem nele. Cada pessoa pode e deve fazer sua parte no sentido de cuidar e preservar o rio São Francisco, no entanto é sempre bom lembrar que as empresas que mais ganham com a exploração do Rio São Francisco são as que menos contribuem com a sua preservação.

Nona noite do Novenário de Nossa Senhora do Rosário

A despeito da dimensão do desafio de revitalizar o rio São Francisco, não podemos perder a esperança; pelo contrário, devemos agir hoje tendo em vista a qualidade de vida das gerações futuras.

Um dos momentos mais significativos da 5ª noite do novenário foi, sem sombra de dúvidas, a súplica à água, quando dos devotos de São José cantaram pedindo chuva para a nossa região.

Texto: Marcos Paulo.
Fotos: Tovinho Régis

Veja mais fotos:

Nona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioJuliana, Janaína, Júlia e Carmelita Rocha - Nona noite do NoveNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioLizi Maeli - Nona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioRoberto Malvezzi (Gogó) - Nona noite do Novenário de Nossa SenLuila e Ênio Moura - Nona noite do Novenário de Nossa SenhoraNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioRoberto Malvezzi (Gogó) - Nona noite do Novenário de Nossa SenNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do RosárioNona noite do Novenário de Nossa Senhora do Rosário

Da Ditadura Civil para a Militar

00_Coluna_do_Gogo

Roberto Malvezzi (Gogó)

Antes do golpe de 2016 sobre a maioria do povo brasileiro trabalhador ou excluído, já comentávamos em Brasília, num grupo de assessores, sobre a possibilidade de uma nova ditadura no Brasil. E nos ficava claro que ela poderia ser simplesmente uma “ditadura civil”, sem necessariamente ser militar. Entretanto, como em 1964, ela poderia evoluir para uma ditadura militar. Naquele momento pouquíssimos acreditavam que o governo poderia ser derrubado.

Já escrevi sobre esse assunto antes do golpe de 2016, mas agora o assunto se atualizou.

Para mim não há dúvida alguma que estamos em plena ditadura civil. É um grupo de 350 deputados, 60 senadores, 11 ministros do Supremo, algumas entidades empresariais e as famílias donas da mídia tradicional que impuseram uma ditadura sobre o povo. As instituições funcionam, como dizem eles, mas contra o povo e apenas em favor de uma reduzidíssima classe de privilegiados brasileiros. Claro, sempre conectados com as transnacionais e poderes econômicos que dominam o mundo.

Portanto, nós, o povo, fomos postos de fora. Tudo é decidido por um grupo de pessoas que, se contadas nos dedos, não devem atingir mil no comando, com um grupo um pouco maior participando indiretamente.

Acontece que o golpe não fecha, não se conclui, porque a corrupção, velha fórmula para aplicar golpes nesse país, hoje é visível graças a uma mídia alternativa presente e cada vez mais poderosa. E a corrupção está em todos os níveis da sociedade brasileira, sobretudo nos hipócritas que levantaram essa bandeira para impor seus interesses.

Mas, a corrupção é apenas o pretexto. Segundo a visão de Leonardo Boff, o objetivo do golpe é reduzir o Brasil para 120 milhões de brasileiros. Os 100 milhões restantes vão ter que buscar sobreviver de bicos, esmolas e participação em gangs, quadrilhas e tráfico de armas e drogas.

Então, começam aparecer sinais do verdadeiro pensamento de quem está no comando, uma reunião da Maçonaria, um general falando a verdade do que vai nos bastidores, a velha mídia com a opinião de “especialistas”, nas mídias sociais os saudosos da antiga ditadura dizendo que “quem não é corrupto não precisa ter medo dos militares”.

Enfim, estão plantando a possibilidade da ditadura militar. Para o pequeno grupo que deu o golpe ela é excelente, a melhor das saídas. Nunca foram democráticos. Não gostam do povo. Inclusive nessa Câmara e nesse Senado, poucos vão perder seus cargos ou ir para a cadeia.

O pior de uma ditadura civil ou militar é sempre para o povo. As novas gerações não conhecem a crueldade de uma ditadura total.

É de gelar a alma o silêncio da sociedade diante das declarações do referido general.

Hidronegócio: privatização da Eletrobrás, privatização das águas

00_Coluna_do_Gogo

Roberto Malvezzi (Gogó)

Há tempos o hidronegócio busca mecanismos de privatização das águas brasileiras. Constitucionalmente tidas como um bem da União, nossas águas não podem ser privatizadas.

A Constituição Federal no artigo 20, inciso III, estabelece que são bens da União os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais.

Reza a Lei Brasileira de Recursos Hídricos 9.433/97:

Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos:

I – a água é um bem de domínio público;

II – a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;

III – em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais;

IV – a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas;

V – a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos;

VI – a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.

O mecanismo estabelecido em lei para uso privado é o da “concessão de outorga”, pelo qual o Estado Brasileiro entrega a um ente privado a exploração de determinado volume de água por um determinado tempo, sujeito à renovação.

Uma vez na posse da outorga, o uso passa a ser privado. Portanto, se não privatiza a propriedade, privatiza o uso.

Embora seja um mecanismo de aparente controle do Estado, podendo retomar a outorga caso ache necessário, o fato é que, uma vez outorgada certa quantidade de água, ela será utilizada até o fim.

Mas, agora levanta-se um mecanismo muito mais monstruoso e perigoso que uma simples outorga. A privatização da Eletrobrás transfere ao poder privado o direito de “vida e morte” sobre os rios brasileiros. O fato é que – ainda hoje – a energia de origem hídrica representa o filé mignon da energia elétrica, mesmo sob avanço das eólicas, da tímida energia solar e até mesmo das térmicas, acionadas constantemente quando falta água nos rios e reservatórios.

Portanto, quem controlar a geração da energia elétrica, controlará as águas brasileiras. Embora tenhamos hoje um Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, cujo topo é atribuído ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), Agência Nacional de Águas (ANA) e Secretaria de Recursos Hídricos da União (SRHU), vinculada ao MMA, quem está na ponta sabe que o controle efetivo é do setor elétrico. Ele se coloca acima de todos os demais usos e determina como as águas serão utilizadas.

O caso mais exemplar nessa privatização será o das Centrais Elétricas do São Francisco (CHESF). Até hoje ela reina no vale do São Francisco, embora tenha perdido poder quando o controle geral da energia passou para o Operador Nacional do Sistema (ONS). O uso das águas no São Francisco, tanto o consuntivo (quando a água é retirada do corpo d´água, caso da irrigação), como do não-consuntivo (como é o caso da geração de energia elétrica), acaba sendo determinado pelo ONS.

E os usos prioritários estabelecidos em lei, que são o uso humano e a dessedentação dos animais? A lei 9.433/97, em suas filigranas, estabeleceu que “são prioridades em caso de escassez”. Oras, no Nordeste a escassez só é decretada quando os reservatórios atingem menos de 10%, enfim, quando a maioria dos reservatórios vira uma sopa de sal, imprestável para qualquer uso. Essa é a obediência às prioridades.

Enfim, a privatização da Eletrobrás será a maior privatização de rios que já tivemos em nossa história. Os trabalhadores dessas empresas não terão mais garantia de seus empregos, o preço da energia vai subir e os cidadãos dependerão de licenças das empresas privadas até para beber água.

 

www.robertomalvezzi.com.br

Pobre da rica Venezuela

00_Coluna_do_Gogo

Roberto Malvezzi (Gogó)

Quando Napoleão invadiu a península Ibérica em 1808, prendeu o rei da Espanha e de todo Império Espanhol. Então, D. João VI, rei de Portugal e de todo Império Português, teve tempo e fugiu para o Brasil.

Quando Simon Bolívar e San Martin, os chamados Libertadores da América, sentiram o Reino Espanhol acéfalo, iniciaram a emancipação política dos países de língua espanhola. Por isso essa parte da América Latina tem tantos países.

O Brasil, ao contrário, tornou-se sede do Império Português. Essa é uma das razões fundamentais pela qual o Brasil permaneceu unido, embora sejamos tão diferentes e poderíamos ser ao menos cinco países de língua portuguesa, assim como são nove os países latino-americanos de língua espanhola. Para muitos, D. Pedro também é um dos libertadores da América.

Um dos berços da libertação da Espanha foi exatamente a Venezuela. Ali nasceu e iniciou o processo de libertação Simon Bolívar. Deriva de seu nome o chamado “bolivarianismo” que tanta gente odeia sem saber sequer o que é. Desses libertadores deriva também o nome do maior campeonato de futebol das Américas, a Libertadores da América que tanta gente sonha ver seu time ganhar, também sem saber de onde vem o nome.

Ao sul, San Martin vai conduzir a libertação da Argentina, Chile e Peru.

A Venezuela, uma vez livre, inicia seu difícil trajeto de se constituir como nação. Em 1976 funda sua maior empresa, uma petroleira, a PDVSA, com reservas estimadas em mais de 3 bilhões de barris de petróleo. Toda economia Venezuelana passa a girar em torno do petróleo. Uma oligarquia branca, corrupta e indiferente à miséria do povo toma conta do Estado e do petróleo. Até os ovos de galinha na Venezuela são importados, trocados pelos dólares do Petróleo.

Esse quadro de riqueza e exclusão gera insatisfações políticas medonhas. Chaves entende a realidade e chega ao poder. Derrubado uma vez pelas antigas oligarquias, volta ao poder pelos braços do povo. Funda o chamado “bolivarianismo”, retomando os ideais libertários de Simon Bolívar, embora haja tantas dúvidas sobre a seriedade das palavras, dos métodos e dos propósitos.

Mas, Chaves morre e chega Maduro. O petróleo perde valor no mercado internacional e a Venezuela, dependente economicamente desse produto, empobrece. Se tudo é importado, é fácil entender que começa faltar de tudo, inclusive para a classe média, e fica fácil também o lockout dos empresários, isto é, o ato de esconder os produtos para colocar o povo em estado de revolta contra o governo.

As antigas oligarquias venezuelanas querem o poder de volta, o controle do petróleo e a retomada da vida nababesca e indiferente ao povo que sempre tiveram. Sufocam o governo e não abrem espaço para qualquer diálogo. Muitos setores da sociedade, que antes apoiavam Chaves, hoje já não apoiam Maduro.

A Venezuela está dividida. Mas, ao contrário do Brasil, as partes vão às ruas, se confrontam, se digladiam e tantas vezes se matam. Lá o Exército, até agora, está com Maduro. Se o Exército se dividir, virá a guerra civil. Se deixar de sustentar Maduro, o regime cai de verde e de maduro.

O conflito, alimentado pelos Estados Unidos, principal consumidor desse petróleo bom, próximo e barato, não tem prazo para terminar e ninguém sabe dizer qual será o futuro desse povo irmão. O problema é que a crise política se transformou em crise humanitária. Com fome, desemprego, migrações, o futuro é uma interrogação.

OBS: Durante os 9 anos que estive na equipe de Terra, Água e Meio Ambiente do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM), debatíamos muito sobre a situação de nossos países, inclusive a Venezuela.

Rupturas nos canais da Transposição

00_Coluna_do_Gogo

Roberto Malvezzi (Gogó)

Mais uma vez o canal do Eixo Leste da Transposição do São Francisco se rompeu nesse fim de semana. As imagens e vídeos da ruptura estão pela internet.

Diante desses fatos até mesmo o jornalismo paraibano começa questionar a qualidade técnica da obra realizada. Afinal, com os canais expostos há tantos anos ao sol do sertão, sendo remendados várias vezes, sempre restava uma interrogação sobre a funcionalidade desses canais e barragens.

Os responsáveis estão dizendo que a correção será feita rapidamente e que não há maiores problemas. Quem sabe seja verdade e o assunto morra aqui.

Mas, os sucessivos problemas apresentados desde seu curto funcionamento, comprometendo inclusive a chegada da água ao açude do Boqueirão, em Campina Grande, reforçam as dúvidas de quem já sabia das imensas dificuldades operacionais de uma obra desse porte, sobretudo a longo prazo.

Tempos atrás se elogiava muito a engenharia brasileira por realizar uma obra de tamanho porte. Agora há um silêncio e os problemas vão se acumulando. Segundo o hidrólogo João Abner, dos 9 m3/s bombeados do São Francisco, apenas 3 m3/s estão chegando ao açude do Boqueirão, em Campina Grande. Portanto, uma perda hídrica de 70%. Quem recebe essa pouca água fica contente, mas poderia chegar muito mais com uma obra infinitamente mais barata e eficiente.

Nosso receio sempre foi que essa obra fosse inviável também tecnicamente, além de tantos outros problemas de ordem econômica, ambiental, social e até éticos.

As orelhas estão em pé. Vamos acompanhando os desdobramentos. O pior será se essa obra mostrar-se mesmo inviável. Aí teremos que recomeçar tudo do zero, pensando novamente nas adutoras, sem falar na situação do rio São Francisco.

Mas, não há como sair do zero. Já houve muito tempo e muito recurso público perdidos. Pior, muita ilusão vendida para fins que nunca ficaram devidamente claros.

As perspectivas de um Brasil de párias.

00_Coluna_do_Gogo

Roberto Malvezzi (Gogó)

Esses dias, por questões familiares, tenho andado muito no setor de oncologia do Hospital Regional de Juazeiro. Ali vejo pessoas sendo atendidas pelo SUS. É o diagnóstico, os exames, os remédios para tratamento, assim por diante.

Qualquer tentativa de ir para a medicina privada se torna impossível para a esmagadora maioria daquelas pessoas e famílias. Tudo é absolutamente caro e inalcançável.

O espaço é simples e digno. O atendimento é muito humanizado. As atendentes, enfermeiras e o próprio médico muito gentis. O problema, como sempre, é uma certa lentidão no atendimento, fator que pode ser melhorado com um pouco mais de capricho na gestão.

Saio dali e fico pensando como será a situação de pessoas com câncer daqui a 4 ou 5 anos, que dirá vinte anos!!! O que restará da saúde pública depois da aprovação da PEC 241? O que me faz ferver o sangue é ver, mais uma vez, nomes como do senador Cristóvão Buarque e Marta Suplicy (Golpista) votando a favor de uma perversidade política desse porte.

E a educação? Se hoje as escolas são precárias, se ninguém mais quer ser professor pelo baixo nível dos salários, se um país precisa de educação para ser considerado como tal, o que restará da educação desse país daqui a vinte anos?

E o saneamento? Fernando Henrique fez um acordo com FMI e Banco Mundial e, por consequência, o Brasil ficou 10 anos sem investir em saneamento. O resultado é que hoje nosso padrão de saneamento é considerado nos mesmos níveis de Londres e Paris, só que em 1400. Congelando os investimentos em 8 bilhões ao ano – é o que foi feito -, vamos levar mais de 60 anos para resolver um problema elementar que torna civilizado um pais e um povo. Isso se houver o investimento e se ele for bem feito.

Mas, duvido que os esmagados se calem e se conformem. A revanche virá.

Tal como está, é impossível imaginar esse país em perspectiva, sem pensar numa sociedade de privilegiados e o restante de párias. A diferença brutal desse governo em relação aos anteriores é que eles se propunham ser mais inclusivos, esse é declaradamente excludente.

Uma das bandeiras de luta para os próximos passos é anular, através de um plebiscito nacional, as decisões tomadas pelos traidores.