Rupturas nos canais da Transposição

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Roberto Malvezzi (Gogó)

Mais uma vez o canal do Eixo Leste da Transposição do São Francisco se rompeu nesse fim de semana. As imagens e vídeos da ruptura estão pela internet.

Diante desses fatos até mesmo o jornalismo paraibano começa questionar a qualidade técnica da obra realizada. Afinal, com os canais expostos há tantos anos ao sol do sertão, sendo remendados várias vezes, sempre restava uma interrogação sobre a funcionalidade desses canais e barragens.

Os responsáveis estão dizendo que a correção será feita rapidamente e que não há maiores problemas. Quem sabe seja verdade e o assunto morra aqui.

Mas, os sucessivos problemas apresentados desde seu curto funcionamento, comprometendo inclusive a chegada da água ao açude do Boqueirão, em Campina Grande, reforçam as dúvidas de quem já sabia das imensas dificuldades operacionais de uma obra desse porte, sobretudo a longo prazo.

Tempos atrás se elogiava muito a engenharia brasileira por realizar uma obra de tamanho porte. Agora há um silêncio e os problemas vão se acumulando. Segundo o hidrólogo João Abner, dos 9 m3/s bombeados do São Francisco, apenas 3 m3/s estão chegando ao açude do Boqueirão, em Campina Grande. Portanto, uma perda hídrica de 70%. Quem recebe essa pouca água fica contente, mas poderia chegar muito mais com uma obra infinitamente mais barata e eficiente.

Nosso receio sempre foi que essa obra fosse inviável também tecnicamente, além de tantos outros problemas de ordem econômica, ambiental, social e até éticos.

As orelhas estão em pé. Vamos acompanhando os desdobramentos. O pior será se essa obra mostrar-se mesmo inviável. Aí teremos que recomeçar tudo do zero, pensando novamente nas adutoras, sem falar na situação do rio São Francisco.

Mas, não há como sair do zero. Já houve muito tempo e muito recurso público perdidos. Pior, muita ilusão vendida para fins que nunca ficaram devidamente claros.

Doze piadas de 2016 e seus humoristas

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Roberto Malvezzi (Gogó)

  1. Golpista presidente (Narrada por Michel)
  2. Não foi golpe (Aécio, Serra e FHC)
  3. O Brasil já melhorou muito (Cristovam Buarque sobre governo Golpista)
  4. Por minha família, minha pátria, minha conta na Suíça, medo da Lava-Jato, voto sim (360 picaretas da Câmara dos Deputados e mais 61 Incitatus do Senado)
  5. PowerPoint do Dallagnol  (Por ele mesmo)
  6. Pedalinho do Lula ou da Marisa (Jornal Nacional)
  7. Palestra sobre ética no farisaísmo bíblico (Sérgio Moro, cachê de 90 mil reais)
  8. Imparcialidade da Mídia Corporativa (Famílias Marinho, Frias, Mesquita e Civita)
  9. Derrubamos o PT e acabaremos com a corrupção, os impostos e o desgoverno (Paulo Skaf, Paulinho da Força e manifestantes de verde e amarelo da Paulista e Copacabana)
  10. Autocrítica do PT (Direção Nacional)
  11. Supremo Tribunal Federal (Por Gilmar Mendes)
  12. Os brasileiros vão se aposentar no túmulo (Eu)

De 1 milhão de mortos para 1 milhão de cisternas.

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Roberto Malvezzi (Gogó)

Na seca de 82 a estimativa foi que pelo menos 1 milhão de Nordestinos ainda morreram de inanição, isto é, fome ou sede. Nessa seca que vem de 2012 até 2016, não há registros de mortes por inanição, nem o fenômeno das grandes migrações, nem frentes de emergência e muito menos saques nas cidades do sertão.

O IX ENCONASA – Encontro da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) -, acontecido entre 21 e 25 de novembro, em Mossoró, constatou que passamos de 1 milhão de mortos para 1 milhão de cisternas. Além do mais, houve 200 mil replicações de tecnologias para armazenar água para produção. Enquanto as cidades passam grande necessidade no Semiárido – por falta das adutoras – e o gado da “classe média rural Nordestina” morre por falta de água e ração, o povo que sempre foi vítima das tragédias humanitárias das secas está bem melhor que os demais. Aprendeu com a captação da água de chuva, o manejo da caatinga, a criação de animais resistentes à seca, assim por diante.

Mas, o governo atual voltou com o discurso do “combate à seca”, eliminou os programas de convivência com o Semiárido e despejou novamente os recursos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DENOCS), sob comando do PMDB. O raciocínio dispensa comentários e o redirecionamento das verbas o mesmo.

Os tempos brasileiros são de retrocesso generalizado, o Nordeste não iria ficar de fora. Foi-se o tempo dos investimentos por aqui, ainda que tantas vezes equivocados, mas parte foi corretamente direcionada ao novo paradigma da convivência, produziu frutos e garantiu vidas.

Foi pouco dinheiro, prazo de 15 anos, mas suficientes para melhorar a vida do povo do que em 500 anos das oligarquias.

Sabemos que quem está no poder não tem interesse algum no povo do Semiárido. O jogo de compadrio entre o STF e Renan, Moro e Aécio, Golpista e coronéis é tipo sexo explícito. Não há o que esconder.

Esse governo tem cara de 200 anos atrás, mas nós vamos manter vivo o paradigma da convivência com o Semiárido. Quem já nasceu velho, não tem futuro. A convivência é o novo, portanto, o presente e o futuro.

 

Jamais seremos os mesmos.

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Roberto Malvezzi (Gogó)

Escrevo para mim mesmo e alguns milhões que comungam a mesma impotência – pelo menos por hora – perante o golpe impetrado no Brasil e seus desdobramentos.

Não tivemos chance de defesa. Falo dos 54 milhões de brasileiros que tiveram seus votos sequestrados por trezentos e poucos calhordas da Câmara e depois 60 senadores. Agora, todas as mudanças constitucionais que vão sendo operadas de costas para o povo.

Não se trata de defender os erros e até crimes do PT ou de petistas. Mas, também não se trata de cegar para a fantástica hipocrisia nacional, cabalmente demonstrada no avanço das investigações sobre outros partidos.

Agora já se questiona o resultado do golpe. A recessão econômica projetada no governo Dilma era de 3,5% do PIB. Com Golpista está projetada em 7%. A indústria caiu, o agronegócio também e o desemprego saltou de 10 milhões com Dilma para 12 com Golpista. Portanto, aquela promessa mágica que o golpe prometia não se realizou. Agora, até Fernando Henrique já fala em eleições diretas para dar alguma credibilidade a quem vai enfrentar o abismo que nos lançaram.

A fratura social do Brasil cravou na alma e vai durar muitas gerações. Vamos continuar nos cuspindo, nos enfrentando em manifestações de rua, restaurantes, nos ofendendo nas redes sociais, alimentando discriminações étnicas, sexistas, classistas, regionais e todas de outros naipes. Talvez nunca tenhamos sido uma nação, mas um aglomerado de pessoas que ocupam o mesmo território (Leonardo Attuch)

Quem tem fome e sede de justiça não pode aceitar um ajuste fiscal e econômico às custas da subtração de direitos e da miséria do povo.  A verdadeira reconciliação só se dá em cima da justiça e um passo a mais na misericórdia, que pressupõe a justiça. E o golpe está aprofundando todas as injustiças históricas do país. O ajuste não é apenas impopular, como diz a grande mídia, mas anti-humano.

Não se trata de nos alimentarmos de ódio. Ele paralisa e mata. Mas, da contínua indignação perante as injustiças estruturais e estruturantes que são impostas secularmente às vítimas de nossa história. A distância entre o ódio e a indignação é um piscar de olhos.

Jamais seremos os mesmos. Essa é a frase que mais ouvi nos últimos tempos, de pessoas tão diferentes, que nem se conhecem. Ou nos reconciliamos na justiça, ou jamais nos reconciliaremos.

Trump é o muro, Francisco é a ponte.

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Roberto Malvezzi (Gogó)

Francisco já repetiu várias vezes que estamos numa 3ª Guerra Mundial. Sua opinião não é fantasiosa ou irresponsável. Ele é a única liderança mundial que tem uma leitura do momento atual da humanidade.

Francisco fala a partir da guerra na Síria, no Afeganistão, em outras partes do mundo e, sobretudo, a partir das vítimas das guerras, dos imigrantes e “desplazados” pelas catástrofes socioambientais. Fala a partir dos sem-teto, sem-terra e sem trabalho. Lembra ainda dos idosos, dos doentes, das crianças, dos descartados da sociedade contemporânea.

Fala a partir das indiferenças, dos egoísmos, dos isolacionismos, dos fascismos de toda ordem. De uma sociedade baseada no consumismo, de um “producionismo” que faz da Terra uma lixeira.

Mesmo assim não se desespera. Diz que movimentos sociais do mundo inteiro, nações indígenas, lutadores da paz e da justiça são a esperança. Ele se reúne com eles, os convida a lutarem para superar a ditadura do dinheiro. Propõe a solidariedade, a partilha, a fraternidade, o acolhimento do diferente e o cuidado com a Terra como caminho para a paz.

Se Hillary tem ligação com a indústria das armas, se ajudou montar o golpe no Brasil, agora pouco interessa. Com a eleição de Trump a humanidade revela sua face mais alucinante. Quem detém a fabulosa riqueza já produzida se mostra desesperado em salvaguardar sua “qualidade de vida”. O modo é a guerra, as discriminações, os xenofobismos, os muros, a eliminação do outro, do diferente, daqueles que são os bodes expiatórios, para serem demonizados e responsabilizados pelas insanidades de quem tem o comando. Porém, nenhuma nação sozinha hoje comanda a humanidade.

Trump é o muro, Francisco é a ponte.

O saneamento foi para o esgoto

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Roberto Malvezzi (Gogó)

Concluídas as eleições municipais – com a mídia saboreando a derrota do PT e a vitória do PSDB -, voltamos à política real.

A aprovação da PEC 241 pelos deputados sofreu uma crítica profunda por parte do Conselho Permanente da CNBB. Pena que a nota demorou, mas ainda há tempo, já que vai tramitar pelo Senado agora como PEC 55.

Um dos itens que teve debate zero nessas eleições municipais, tão fundamental para cada município brasileiro, foi o saneamento básico. Nem os candidatos, nem a mídia, nem mesmo a Igreja soube colocar a temática em debate. E olhem que esse é o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica desse ano. A Arquidiocese do Rio de Janeiro, por exemplo, diante do posicionamento partidário de alguns padres, preferiu lançar uma nota falando de “aborto”, como se fossem os prefeitos que decidissem sobre o tema. Não apareceu na nota da Arquidiocese nenhuma referência a uma cidade com favelas, esgoto à céu aberto, poluição das praias e da Lagoa Rodrigo de Freitas.

É nessas ciladas midiáticas que caímos como patos. Falta até seguir aquele conselho básico de Jesus: “sejam mansos como pombas e astutos como cobras” (Mateus 10,16). Será que é mesmo ingenuidade, ou astúcia invertida?

A nota da CNBB é clara. Não é só a saúde e a educação que vão ficar sucateadas em alguns anos – para D. Murilo Krueger bastarão 4 anos para percebermos o desastre -, mas o saneamento básico também terá seu orçamento congelado.

Quando FHC era presidente, fez um acordo com o FMI e o Banco Mundial, proibindo o Brasil de investir em saneamento por dez anos, e com isso poupar dinheiro para bancar a dívida externa. Era a lógica de precarizar para privatizar. O resultado é que em dez anos nosso saneamento ficou nos mesmos níveis de Paris e Londres, só que em 1400. Isso, nosso saneamento foi classificado por uma agência internacional como medieval (O Globo, 10/09/2016).

Portanto, quem acha que o que aconteceu aí foi só tirar a Dilma e pôr o Golpista, derrotar o PT e pôr o PSDB, daqui a alguns anos vai ver o resultado das decisões que estão acontecendo agora. Ainda vem aí a reforma da Previdência e a trabalhista.

O saneamento básico, literalmente, foi para o esgoto.

Praça lotada no segundo dia de Novena de Nossa Senhora do Rosário

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Nesta terça-feira, 22/10, segundo dia do novenário de Nossa Senhora do Rosário, a praça Manoel Firmo Ribeiro ficou lotada de fieis para acompanhar o Padre Guilherme Mayer, pároco da Paróquia Santo Antônio, de Pilão Arcado, na discussão do sub-tema “Sem saneamento básico, ‘nossa casa comum’ deixa de ser um bom lugar para viver”.

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Ação de Graça, hora das belas encenações durante a Novena.

Todas as noites a participação da comunidade é fundamental para o bom andamento da novena. Sempre tem alguma novidade durante a celebração, com várias encenações ligadas à temática do novenário. A hora da Ação de Graça é um dos momentos mais esperados, devido às surpresas que os noiteiros sempre trazem para este momento.

Os noiteiros deste sábado foram: Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral Carcerária, Profissionais da Saúde, Grupo AA, CAPS, Vicentinos e Quadras 07 e 10.

As fotos de que destaco para hoje (as outras estou postando no meu Facebook:

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Começa o Novenário de Nossa Senhora do Rosário, em Remanso-BA

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Ontem, 21/10, começou o novenário de Nossa Senhora do Rosário, em Remanso, Bahia. Com o tema “Iluminados pela palavra de Deus, cuidemos da ‘Nossa casa comum'”, os devotos de Nossa Senhora do Rosário estarão em festa até o próximo dia 30, quando encerra-se a festa da Padroeira com a procissão pelas ruas da cidade.

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O tema de ontem foi “Casa comum, nossa responsabilidade”. O celebrante da noite foi o padre Isael Brito, da Paróquia Catedral Diocesana Nossa Senhora das Grotas, de Juazeiro. Noiteiros: Legionários(as), Rosário Permanente, Carismáticos, Minstros(as) da Eucaristia, Terço dos Homens e Quadras 09, 11, 13 e BNH.

A primeira noite já contou com a presença de muita gente e a tendência e aumentar a participação à media em que os dias vão passando.

Quem quiser acompanhar o novenário ao vivo é só seguir um dos sites listados a seguir (vídeo e rádio):

http://www.zabelefm.com.br

http://www.remansonoticias.com.br

http://www.remanso.net

Vejam mais algumas fotos:

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Com gol de Brenner Remanso vence Santaluz por 1 a 0

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No último domingo (16/10) a seleção de Remanso venceu a seleção de Santaluz pelo placar de 1 a 0, jogo válido pela terceira fase do Intermunicipal Baiano de 2016, realizado no Estádio Municipal Walter Dias Ribeiro, em Remanso.

O Jogo

As duas seleções invictas fizeram um jogo difícil, com os luzenses catimbando bastante. A primeira etapa teve alguns lances perigosos, tendo como principal lance o gol perdido pelo meia atacante Rodrigo (11) aos 13 minutos. Os remansenses, como era de se esperar, procuravam mais o gol, enquanto os luzenses demonstravam que o empate já seria bastante para as suas pretensões.

A segunda etapa começou já com a expulsão do centroavante Marcelo Muritiba aos dois minutos. Somente aos 29 minutos saiu o único gol da partida, marcado por Brenner, após a cobrança de escanteio feita pelo lateral esquerdo Marcelo. Ambos haviam entrado no decorrer da partida. No finalzinho do jogo a seleção luzense passou a pressionar os remansenses, mas não conseguiu chegar ao empate. Já nos acréscimos da partida o técnico Beto Oliveira foi expulso e, junto com Marcelo Muritiba, serão as principais baixas para o jogo de volta no próximo domingo (23/10) no estádio Milton Góes, em Santaluz. Após o encerramento da partida o atleta Murro Pinho Santos, camisa número 04, recebeu cartão vermelho. Achei estranho o nome, mas é assim que está anotado na súmula.

Com o resultado desta partida a seleção de Remanso joga pelo empate para passar para a próxima fase. Santaluz precisa de uma vitória por mais de um gol de diferença para seguir em frente. Uma vitória dos luzenses por apenas um gol de diferença leva a decisão para os pênaltis.

Os atletas e comissão técnica da seleção de Santaluz reclamaram muito após o final da partida. Por pouco não se formou uma grande confusão já na entrada dos vestiários.

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REMANSO

Valtinho, Diego, Alex Buzina, Daniel, Max, Leo, Diê, Giorjan “Colômbia”, Henrique, Mamá e Rodrigo. Suplentes: Robinho, Marcelo, Edijan, Elio, Jailson, Roge, Brenner, Gú, Panga, Tiago e Dedeco.

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SANTALUZ

Whallison, Samuel, André, Marcos, João, Valdemir, Marcelo Bispo, Romário Gravatá, Marcelo Muritiba, R(???), Nivaldo, Edson, M(???), Rodrigo, Jadson, André, Fábio, Welington e Fredson.

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ARBITRAGEM

Árbitro: Carlos Roberto dos Santos (FBF/Senhor do Bonfim); Assistente 01: Hilton Carlos dos Santos (FBF/Senhor do Bonfim); Assistente 02: André Batista dos Santos (FBF/Senhor do Bonfim); 4º Árbitro: Jucimar Barbosa da Silva (FBF/Remanso)

Mais fotos:

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Os Xerente e Michel Temer

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Roberto Malvezzi (Gogó)

É interessante perceber, dar ouvidos, a outros tipos de sociedade. O Xerente Romário – não me falou seu nome indígena -, um jovem índio que estava no encontro de formação da Rede Eclesial Panamazônica (REPAM), em Miracema, me dizia:

“A gente não tem espírito de acumulação. O Tocantins dava peixe prá gente. Não ia pescar, ia buscar os peixes. Agora está diferente. Nosso território não garante nossa alimentação. Temos que comprar em supermercado”.

Numa longa conversa fomos conferindo as diferenças civilizacionais entre nós brancos e os Xerente.

A sociedade deles não tem Estado. Portanto, não tem os poderes judiciário, legislativo e executivo.

Não tem propriedade privada. A terra, a água e os bens da natureza são de todos. Como não há propriedade privada, não há classes sociais, patrões e empregados, proprietários dos meios de produção e trabalhadores, muito menos desempregados.

A sociedade deles não tem bandidos. Portanto, não tem polícia. Portanto, não tem população carcerária e presídios.

Como não tem Estado, não tem arrecadação de impostos.

Eles não têm cidades. Moram em pequenas aldeias espalhadas pelos territórios, integradas à natureza. Ainda mais: “é uma estratégia para defender nosso território”.

Poderíamos ir longe nessa comparação. Marx simplesmente chamava essas sociedades de pré-capitalistas. Os capitalistas as chamam de atrasadas e entraves para o desenvolvimento.

Na verdade, elas continuam aí bem em baixo de nosso nariz e rejeitam nosso modo “branco” de viver. Estudos recentes indicam que esses “atrasados e pré-capitalistas” nos garantiram em seus territórios o pouco que nos resta de florestas, portanto água, portanto regulação do clima, portanto de biodiversidade.

Não acho que um dia a humanidade toda viverá novamente como os Xerente. Há o mundo das tecnologias, da ciência e dos poderes. Como dizia Hanna Arendt em sua obra A Condição Humana, “a humanidade não ficará confinada na Terra”. Não vai demorar muito para começarmos a colonização de outros planetas e luas do sistema solar.

Mas, em tempos de Temer Golpista, com sua PEC 241, é fantástico ver outras sociedades, em tudo diferentes de nós e muito mais humanas que a nossa.